Brasília (AE) – A Polícia Federal (PF) fecha o cerco, a partir de hoje, à rede de doleiros e instituições financeiras que enviou recursos para a off-shore Dusseldorf Company, pertencente ao publicitário Duda Mendonça e à sócia dele, a publicitária Zilmar Fernandes de Oliveira, nas Bahamas. Esse é o último elo que falta para comprovar se foi Duda Mendonça quem remeteu recursos para a Dusseldorf no exterior, por meio de doleiros de confiança dele, e não o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do caixa dois do PT e do ?mensalão?, mesada paga a parlamentares em troca de apoio ao governo.

A confirmação desse dado abre caminho para o pedido de prisão preventiva do publicitário, negado no início das investigações, mas que volta a ser considerado agora na PF e no Ministério Público Federal (MPF). Em depoimento na segunda-feira, Valério disse à PF que jamais orientou Duda Mendonça a abrir empresa ou contas no exterior, nem fez qualquer remessa para fora do País. Informou também que os R$ 15,5 milhões que destinou ao publicitário, a mando do ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento do partido Delúbio Soares, foram pagos no Brasil a indicados por Zilmar, entre eles o doleiro Jader Kalid Antônio, de Belo Horizonte. ?Não temos por que desacreditar em Valério e estamos muito perto de confirmar que foi mesmo Duda quem remeteu os recursos para a Dusseldorf?, afirmou um delegado federal que atua no inquérito do ?mensalão?. Com isso, o publicitário teria cometido três crimes: evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.