A concessão de licença prévia pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira (RO) foi classificada como "marco" e "sinal positivo" na avaliação do coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professor Nivaldi José de Castro. "(A concessão) é um marco no sentido de aproveitar o grande potencial hidráulico da região Norte do País", considerou.

O especialista comentou que possíveis atrasos das obras das usinas, devido a problemas como chuvas na região, não são tão importantes como o fato de a licença prévia ter sido concedida. Embora não tenha opinado sobre prazos de construção das duas hidrelétricas, considerou que atrasos de dois, três meses nas obras dos empreendimentos "deixa de ser relevante" em comparação com o fato de que os agentes envolvidos estão interessados em incorporar o potencial hidráulico da região norte, "há muito tempo travado por questões ambientais.

Mas o técnico admitiu que o número de 33 exigências dos técnicos do Ibama para a concessão de licença prévia deve mesmo aumentar os custos de construção das usinas. Castro considerou que, no caso das obras da hidrelétrica Peixe Angical, da Enerpeixe – consórcio composto pela Energias do Brasil (60%) e Furnas (40%) – o custo ambiental na construção chega a 15% do total gasto no empreendimento. "Realmente é uma variável de incerteza para o investidor", disse.