Encontradas após ficarem quase dois anos no fundo do Oceano Atlântico, as caixas-pretas do voo AF-447 chegaram a Paris na manhã de ontem, mas as conclusões sobre a causa do acidente de maio de 2009 não serão conhecidas até o ano que vem. A previsão – ou a falta dela – é do Escritório de Investigações e Análise para a Aviação Civil (BEA), que vai precisar de três dias de trabalhos apenas para saber se as gravações estão intactas.

Ainda imersas em água desmineralizada para não aumentar o processo de corrosão, os gravadores foram apresentados ontem para a imprensa e aparentavam bom estado físico exterior. O BEA vai divulgar na segunda-feira um comunicado para esclarecer se os módulos eletrônicos gravaram os dados. O BEA descarta divulgar informações parciais sobre o conteúdo das gravações. A tendência é de que as primeiras conclusões possam exigir meses. O relatório final sobre o acidente deve ser divulgado no início de 2012.

Além dos gravadores, a expedição ao Atlântico já dispõe de cerca de uma dezena de peças consideradas importantes para descobrir o que derrubou o Airbus A330-200. Entre os componentes da aeronave, coletados desde 26 de abril, estão os dois motores, os calculadores (equipamentos eletrônicos que podem indicar o comportamento do avião), os joysticks e os assentos da tripulação. Ainda hoje, o cockpit do Airbus deverá ser resgatado do local dos destroços, a 3,9 mil metros de profundidade.

É possível que as sondas pitot (sensores de velocidades que podem ser a causa do acidente) estejam presas ao cockpit. No entanto, os especialistas não consideram essencial a recuperação dos equipamentos. Com as caixas-pretas já seria possível saber se as sondas falharam.

Identificação

O Instituto de Pesquisas Criminais (IRCGN) da Polícia Militar da França (Gendarmerie Nationale) espera ter em sete dias a resposta de cientistas sobre a possibilidade de identificar, por meio de DNA, os dois corpos recuperados. Se for positiva, o resgate dos mais de 50 corpos encontrados será retomado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.