Brasília – A falta de informação é o principal fator que impede o brasileiro de manter a saúde bucal em dia .A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Odontologia do Distrito Federal (ABO-DF ), Wesley Borba Toledo. Ele e mais cerca 5 mil profissionais participam do 12º Congresso Internacional de Odontologia e do 2º Congresso de Odontologia Militar, que começou nesta quarta-feira (25) e vai até domingo (29) em Brasília.

?O maior problema que temos é a cárie. Essa doença é causada por bactérias e pode ser transmitida de uma pessoa a outra, já que não nascemos com essa bactéria", explicou o especialista, acerscentando que a falta informação, leva os pais a beijar os filhos na boca e transmitir cárie às crianças.

Para Toledo, a importância do congresso é levar esse tipo de informação à população, mesmo considerando que o país evoluiu com a instituição de programas como o Brasil Sorridente.  ?Saúde bucal é de suma importância para a população e, quando percebemos que ainda existem no país cerca de 30 milhões de desdentados totais, percebemos o quanto temos que avançar ainda?.

Segundo ele, os tratamentos odontológicos ainda são muito caros,  já que os investimentos e a preocupação com a prevenção ainda são baixos. Isso torna os tratamentos mais caros, mais demorados e mais dolorosos para os pacientes.

Durante o congresso, além de palestras e debates, os organizadores montaram consultórios e fizeram parcerias para atender a população. Até sábado serão distribuídas 120 senhas diariamente, com prioridade para as pessoas que podem se submeter a processos de curta duração, como extração e obturação. Os pacientes são submetidos a triagem para avaliação e, conforme o caso, serão encaminhados às unidades móveis de tratamento.

?As maiores necessidades que temos percebido até o momento são restaurações, ou seja, obturações de dentes, e a extração de raízes ou fragmentos de dentes. Em terceiro lugar está a procura por próteses, mas isso nós não estamos fazendo, pois é um serviço mais demorado e mais complexo?, explicou a o coordenadora de Odontologia do Serviço Social do Comércio (Sesc), Marcia Maria Vale Neves, um dos parceiros do congresso.

A profissional destacou que só a escovação não basta para evitar problemas como cárie e periodontite. É necessário também o fornecimento de água encanada com flúor. ?O cuidado e a prevenção dessas doenças vai muito além da escova, passa muito também pelo ambiente no qual a pessoa vive, [já que essas doenças são conhecidas pelos estudiosos como doenças multifatoriais] ?.

O estudante Cristiano Pereira chegou às 7 horas no local de atendimento, atraído pelas notícias que viu na TV. Para ele, a iniciativa de prestar atendimento odontológico é importante, sobretudo, para a população mais pobre. ?É uma oportunidade para as pessoas que não conseguem ter acesso a atendimento. É uma oportunidade que a pessoa tem que aproveitar".

O atendimento começou às 8 horas, mas houve quem chegasse ao local por volta das 4 horas da madrugada. Cristiano Pereira esperou duas horas e se disse satisfeito com o atendimento e feliz ao saber que está tudo bem com a sua boca.