Arquivo / O Estado
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Alex Canziani: fora da lista
por 11 votos a zero.

Brasília – O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou por 11 votos a zero o arquivamento das representações feitas pelo Partido Liberal contra quatro deputados do PTB. Os deputados Sandro Matos (PTB-RJ), Neuton Lima (PTB-SP), Joaquim Francisco (PTB-PE) e Alex Canziani (PTB-PR) não serão cassados por quebra de decoro parlamentar. Os quatro parlamentares, ao serem absolvidos da representação, informaram que vão entrar na Justiça contra o PL e o seu presidente, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, por terem sido denunciados sem provas.

O deputado que pediu o arquivamento dos processos, Nelson Trad (PMDB-MS), disse entender que as representações não têm consistência jurídica. "Elas foram feitas sem nenhuma prova e são representações delirantes." Ele sugere que a Procuradoria da Câmara faça uma reparação aos parlamentares.

O líder do PL na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO), fez ontem um apelo dramático para que o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), retire o seu nome do relatório parcial, que será apresentado na semana que vem, com o nome de 18 parlamentares envolvidos no suposto esquema do mensalão. Mabel foi citado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos responsáveis pelo pagamento de mesada a parlamentares da base aliada.

Com a voz embargada e lacrimejando, Mabel implorou para que o relator tivesse "piedade" dele e chamou Jefferson de "delinqüente". "Estão ralando quem já está ralado. Me ajudem. Tenham piedade de uma pessoa. Queria pedir para ser retirado da lista", disse o líder do PL. "A única citação que tem sobre mim na CPI é do delinqüente do Roberto Jefferson", completou. Ele garantiu que não vai renunciar a seu mandato e lembrou que já está sendo investigado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. "Já estou com minha imagem bem atrapalhada. Não tenho que justificar mais nada", observou.

O apelo do líder do PL não surtiu, no entanto, nenhum efeito junto ao relator da CPI. "Não é um processo disciplinar; é um inquérito. Não posso excluir o seu nome", alegou Serraglio. Sem se dar por vencido, Mabel tentou ainda sensibilizar o relator: foi até à mesa da CPI e ficou de cócoras ao lado de Serraglio dando argumentos para que o seu nome seja retirado da lista. "Não sou dono da verdade, mas não tenho nenhuma intenção de voltar atrás", sentenciou o relator.

Anteontem, Serraglio enviou ofícios a 18 deputados que tiveram seus nomes mencionados em depoimentos na CPI ou aparecem na lista de sacadores de recursos da conta no Banco Rural do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Os parlamentares têm cinco dias úteis para se explicar, se assim quiserem.