Como se não bastasse a derrota da manhã, quando viu a Mesa Diretora legitimar os trabalhos do Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofreu novo golpe na noite desta terça-feira (3) com a decisão do colegiado de aprofundar as investigações contra ele e concluir a perícia sobre seus rendimentos de R$ 1,9 milhão em quatro anos com a suposta venda de gados. Com o continuidade do processo, Renan fica impedido de renunciar ao mandato. Na possibilidade de ser cassado, perderá os direitos políticos por oito anos a contar de 2010.

Na reunião do Conselho de hoje, um dos aliados de Renan, Wellington Salgado (PMDB-MG), apresentou requerimento convidando o presidente do Senado a depor. O convite deve ser aprovado em sessão do colegiado marcada para a tarde de amanhã. Também nesta quarta-feira, o bloco governista, PMDB e oposição devem indicar três nomes para a relatoria. É praticamente certo a designação dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES), Almeida Lima (PMDB-SE) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Os três, como prevê o regimento, atuarão como uma comissão de inquérito, subordinada ao próprio Conselho.

A decisão de indicar uma relatoria tripla, que antes já havia sido abandonada, foi ressuscitada na reunião em que o bloco governista preparou a nota de apoio à medida da Mesa Diretora. "Essa comissão vai proceder ao trabalho que o relator tem", explicou o presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO).