O comandante do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta-1), coronel-aviador Eduardo dos Santos Raulino, disse nesta quinta-feira (5) que houve desatenção por parte dos controladores no caso do acidente do Boeing 737-800 da Gol, que matou 154 pessoas, numa colisão com o jato executivo da Legacy, em 29 de setembro do ano passado. Segundo Raulino, havia "uma consciência situacional baixa" entre os controladores naquele momento. O relato foi feito hoje em depoimento à CPI da Crise Aérea, em Brasília.

O comandante do Cindacta 1 atribuiu a desatenção à tranqüilidade dos controladores e à pequena quantidade de vôos monitorados. Raulino lembrou que está no cargo há três meses e que presenciou momentos de tensão entre o comando e os controladores de vôo. Disse, no entanto, que esta situação foi resolvida após a Aeronáutica adotar medidas como o afastamento de 14 controladores, no final de junho. Raulino admitiu ainda que aumentou a quantidade de relatórios de risco no sistema aéreo após o acidente da Gol.

Ainda no depoimento à CPI, o comandante do Cindacta-1 reconheceu que há, de fato, um ponto cego na visualização em radar na região onde ocorreu o acidente da Gol. No entanto, afirmou que a visualização por radar não é condição primária para garantir a segurança do sistema aéreo brasileiro. Para ele, mais importante ainda é a comunicação entre as aeronaves e o controle de tráfego.

Questionado pelo relator da CPI, deputado Marcos Maia (PT-RS), sobre as reais razões que provocaram o acidente, Raulino limitou-se a dizer que a apuração é de responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica, admitindo, porém, que pode ter havido um desligamento do transponder do Legacy.

Conflito

Desde o acidente da Gol, há quase 10 meses, o diálogo entre Aeronáutica e controladores de tráfego ficou bastante complicada. Os controladores acusaram as condições desgastantes de trabalho e deflagraram uma rixa entre governo e o setor. Com isso, iniciaram então as chamadas "operação-padrão", que provocaram os sucessivos atrasos em vôos nos aeroportos de todo o País, numa crise aérea que se já arrasta por nove meses.