Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o diretor do Cindacta-4 (Manaus), coronel Eduardo Antonio Carcavalo, reconheceu que antes do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro de 2006, os controladores de vôo trabalhavam controlando mais do que 14 aeronaves simultaneamente limite estabelecido pela legislação. "A prática de controlar mais aeronaves era corriqueira, cotidiana e um acerto entre os controladores. Depois do acidente eles resolveram trabalhar estritamente dentro da norma", explicou o coronel.

O coronel também descartou que os atrasos de embarque nos últimos dias nos aeroportos brasileiros sejam fruto de greve dos controladores de vôo. "Não existe greve de controlador. O que existe é uma preocupação muito grande com o que pode acontecer, em função de eles terem sido indiciados", observou. Uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal pediu o indiciamento de quatro controladores de vôo, que trabalhavam no Cindacta-1 de Brasília, no dia do acidente, por crime de homicídio culposo.

No depoimento o comandante do Cindacta-4 afirmou ainda que não existem pontos cegos no espaço aéreo. A CPI ouviu ainda o comandante do Cindacta-3 (Recife), coronel José Alves Candez Neto, que disse que depois do acidente aéreo com o Boeing da Gol o número de relatórios de perigo aumentou. No depoimento Candez posicionou-se ainda contra a criação de um adicional salarial para os controladores de vôo. Ele alega que existem outros militares que também trabalham em áreas técnicas e que também precisariam do adicional.