Brasília – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios aprovou ontem, em votação simbólica, a convocação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A data do depoimento ainda não foi marcada. Os integrantes da CPI aprovaram também a convocação do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. A quebra de sigilo bancário de operações de 11 fundos de pensão nos bancos BMG e Rural deverá ser votada amanhã na CPI.

?Não podemos começar a fazer quebra de sigilo de fundo de pensão a torto e a direito. Daqui a pouco vai se colocar todo o sistema financeiro sob suspeição?, disse o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Segundo ele, parte do PFL defende a quebra indiscriminada do sigilo bancário dos fundos de pensão e não apenas das operações com o BMG e o Rural. Essa atitude, na avaliação de Delcídio, colocaria o mercado financeiro em polvorosa. ?Temos de tratar com muito cuidado e cautela esse assunto dos fundos de pensão?, observou o petista.

Ficou acertado que a quebra de sigilo dos fundos de pensão será votada na reunião de quinta da CPI. Para brecar a tentativa de pefelistas de aprovar a abertura aleatória de dados dos fundos de pensão, a cúpula da CPI acionou o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) insistiu na aprovação de seu requerimento, mas acabou sendo convencido por seus colegas de partido a deixar a discussão para a sessão de quinta.

A sessão para aprovar a convocação do ex-ministro José Dirceu para depor na CPI dos Correios durou mais de cinco horas. Além da falta de consenso em torno da quebra do sigilo dos fundos de pensão, os petistas ficaram insatisfeitos com o teor do depoimento informal feito ontem pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG) à comissão.