O polêmico relatório final da CPI do Banespa, do deputado Robson Tuma (PFL-SP), foi aprovado nesta madrugada por unanimidade. No documento, de quase 400 páginas, foram relatadas várias irregularidades, entre elas, a adulteração do balanço do Banespa de 1994 e “motivações políticas e manobras do Banco Central que levaram à intervenção e privatização do Banco.”

Segundo informações da “Agência Câmara”, o relatório será enviado ao Ministério Público, que vai apurar as responsabilidades civis e penais do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, de ex-diretores do Bacen e de interventores do Banespa.

A CPI também propõe ao Ministério Público o indiciamento dos dirigentes do Banco Fator, do Consórcio Booz Allen e da Fipecafi, pelos indícios de acerto de preços nas avaliações do Banco para sua privatização. Os deputados Ricardo Berzoini (SP) e Iara Bernardes (SP), ambos do PT, lamentaram que no relatório não tenha sido pedida a investigação de ex-governadores de São Paulo, como Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury. Segundo Berzoini, eles também foram responsáveis pelo endividamento de São Paulo com o Banespa, prejudicando a situação patrimonial do banco.

Para o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), a CPI não foi neutra e falhou porque não ouviu depoimentos importantes como o de Pedro Malan, que era presidente do Banco Central, e de Ciro Gomes, que era Ministro da Fazenda na época da intervenção, em dezembro de 1994. Mas para o presidente da CPI, Luiz Antônio Fleury (PTB-SP), o relatório reflete exatamente o que foi apurado e não se pode politizar o resultado dos trabalhos. (Fonte: Correio Web/Folhanews)