Brasília (ABr) – Foram dois anos de trabalho. Criada para desvendar execuções de jovens, sindicalistas, empresários e trabalhadores rurais, a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Grupos de Extermínio no Nordeste acabou por descobrir uma relação entre criminosos de diferentes regiões do País. O relatório final, com cerca de 600 páginas, descreve a forma como atuam os grupos e aponta indícios de contratação dos matadores nordestinos para chacinas nas baixadas santista e fluminense. ?Vários depoimentos e inquéritos policiais mostram que os matadores dos nove estados do Nordeste são contratados por organizações criminosas do Sudeste, Norte e Centro-Oeste para executar as pessoas que decidem sair da organização ou colocam obstáculo para as atividades de comércio, exploração sexual, tráfico de drogas e armas, jogos de azar, falsificação de remédios e combustível, além de lavagem de dinheiro?, revela o relator da CPI, deputado e padre Luiz Couto (PT-PB).

A comissão teve os trabalhos encerrados este mês, com a aprovação do relatório final. O documento recomenda, entre outras medidas, a criação de uma nova CPI para investigar a atuação dos grupos de extermínio em todo o País. Nele, promotores públicos contam, inclusive, que muitos matadores já identificados pela polícia nordestina hoje vivem em estados como São Paulo e prestam serviço para suas organizações de origem nesses locais.