Brasília – Em reunião administrativa realizada ontem, a CPI dos Correios aprovou a convocação de 11 novos depoimentos no processo que investiga irregularidades praticadas na estatal. Ainda sem data definida, foram convocados Luiz Gushiken, ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Lula; Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998; Kátia Rabelo, atual presidente do Banco Rural; Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB; e Marcelo Sereno, ex-secretário de Comunicação do PT.

Os parlamentares aprovaram, ainda, as convocações do ex-secretário-adjunto da Secom Marcos Flora e de Expedito Caio Barsotti, subsecretário de Publicidade do governo Lula. Além desses, serão também chamados a prestar esclarecimentos à CPI o ex-presidente do Banco Popular Ivan Guimarães e Solange Pereira de Oliveira, ex-secretária do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Os integrantes requereram ainda a presença do ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira, que seria beneficiário de pelo menos um saque efetuado da conta do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do "mensalão". "Só avaliamos aqueles sobre os quais havia consenso", explicou o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

O depoimento de Cristiano Paz, sócio de Valério, previsto para ocorrer na sessão desta terça, foi adiado para quarta-feira. Na ocasião o depoente será ouvido em sessão conjunta com a CPI do Mensalão. Na quinta-feira, será ouvida Zilmar Fernandes da Silveira, sócia do publicitário Duda Mendonça, que teria sido beneficiada com 15,5 milhões de reais sacados das contas das empresas de Valério no Banco Rural.

Conta

A CPI dos Correios descobriu uma conta de um banco estatal brasileiro nas Ilhas Cayman por onde passou mais de US$ 1 bilhão desde 1997. Segundo assessores da CPI, o dinheiro era mandado para uma empresa off-shore no Uruguai e de lá seguia para uma conta no banco estatal no paraíso fiscal. A expressiva movimentação financeira faz parte do banco de dados da CPI do Banestado, mas a CPI dos Correios ainda não identificou nenhuma ligação entre essa conta e o suposto esquema do mensalão.

"Mas é uma movimentação muito alta, que chama a atenção. Queremos saber quem movimentou essa quantia toda e se existem registros dessas movimentações", disse um graduado assessor da CPI.