São Paulo (AE) – Um desabamento nas obras de construção da estação Pinheiros da Linha 4-Amarela do Metrô ocorreu ontem, por volta das 15h, na Marginal Pinheiros, zona oeste de São Paulo. A cratera, de cerca de 80 metros, engoliu caminhões, ônibus e um guindaste. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar esvaziaram a região por conta do risco de outros desabamentos. As ruas ao redor do acidente tiveram o fornecimento de energia suspenso até o final da tarde. A Defesa Civil determinou que os moradores das casas próximas à cratera deixassem suas residências porque as estruturas de todas elas estão comprometidas.

Um motorista e um cobrador da linha circular Terminal CPTM/Pinheiros, cujo ponto final é próximo ao local do desabamento, desapareceram. O GPS do veículo, que transmite sua localização por satélite, mostrou como última informação a Rua Capri, onde a cratera se abriu. O fiscal Aloísio Joaquim da Silva, da cooperativa Transcooper, à qual o ônibus pertence, informou que foi tentado contato com o motorista e o cobrador desaparecidos por rádio, mas não obteve resposta. No início da noite, uma equipe de busca conseguiu localizar o motorista sem ferimentos. Não havia passageiros no ônibus.

O assessor do consórcio de empreiteiras que constrói a nova linha de metrô diz que estava sendo feito um rebaixo ao lado do posto da estação Pinheiros. ?Os funcionários estavam cavando esse rebaixo quando houve uma instabilidade geológica. As paredes da estação e do túnel foram desabando lentamente?, informou Mauro Bastos.

Por precaução, funcionários da Editora Abril deixaram o prédio que fica próximo às obras, minutos depois de terem ouvido um forte estrondo e observado a cratera formada através das janelas do prédio. Houve queda de luz no prédio, mas não ocorreu registro de qualquer dano e o local passou a funcionar sob o auxílio de geradores.

O prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, determinou a interdição da Marginal Pinheiros no trecho próximo ao acidente e mandou que sejam seguidas as orientações técnicas. ?Estamos tranqüilos quanto às medidas adotadas?, ressaltou Kassab. Já o promotor de Cidadania do Ministério Público de São Paulo, Saad Mazloum, solicitou a abertura de um ?procedimento preparatório civil? para investigar se houve danos ao erário público e envolvimento de agentes públicos no acidente ocorrido na linha 4. ?O procedimento terá prazo de 60 dias para ser concluído e se tivermos indicações de envolvimento de entes públicos e danos ao patrimônio público decidiremos pela abertura de um inquérito?, explicou.

Em dois anos, este é o oitavo acidente

São Paulo (AE) – As obras de construção da linha 4 do metrô, em Pinheiros, que vai ligar a Luz à Vila Sônia, já registraram outros acidentes. Em dois anos, este é o oitavo caso. O mais grave ocorreu no dia 5 de outubro do ano passado, quando o operário José Alves Souza, 56 anos, morreu após desmoronamento na obra da Estação Oscar Freire do Metrô. Ele teve traumatismo craniano. O colega dele, Jairson da Silva, sofreu apenas escoriações leves.

Souza estava a 25 metros de profundidade, dentro de um túnel onde futuramente funcionará uma das plataformas da estação, na esquina da Rua Oscar Freire com a Rebouças. Ele instalava placas de segurança, que serviam exatamente para evitar desmoronamentos. As placas são fixadas a cada 80 centímetros do túnel que já estava com 23 metros de comprimento. A terra cedeu na parte da frente do túnel.

Na hora do acidente, 40 pessoas trabalhavam no local. No total, são 2.700 operários em 27 frentes de trabalho. Um deles, que estava de folga no dia do acidente, disse que desde segunda-feira havia pequenas erosões nas paredes de barro. A obra chegou a ser interditada.

Em abril, uma fissura, seguida do afundamento de cinco centímetros no teto de um túnel, entre as futuras estações Pinheiros e Faria Lima, causou a interdição preventiva de oito casas na Rua João Elias Saad, em Pinheiros, e 19 pessoas precisaram deixar suas casas. Na Rua Sumidouro, um sobrado desabou após queda parcial da parede de um túnel e outros dois imóveis tiveram danos parciais em dezembro.

O túnel do metrô, que vai ligar a zona sul ao centro e está orçado em R$ 1,2 bilhão, deverá estar pronto no final de 2008.