A menina Agatha Nogueira de Sá Neves, de 10 anos, morreu enforcada numa trama de tecidos usada para acrobacias, no início da noite de quinta-feira, 30, no Centro Educacional Municipal (Cide) de Caraguatatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. No teatro da unidade funciona o projeto Circo Escola, que forma artistas circenses. De acordo com a Polícia Civil, depois de uma aula com apresentação, a criança teria ficado brincando sozinha com os tecidos pendurados no teto quando, possivelmente, enroscou-se e acabou morrendo por asfixia.

A menina foi encontrada pendurada com os panos em volta do pescoço. Ela chegou a ser socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu. Agatha era filha de uma auxiliar de limpeza de uma escola municipal e, segundo a vice-diretora do Cide, Maria Cristina Nereu, costumava ficar até mais tarde na escola à espera do padrasto ou de outra pessoa autorizada a levá-la embora. A criança teria ficado no local na companhia de um vigilante. O acidente teria ocorrido quando o vigilante saiu para fazer uma ronda.

Até a tarde desta sexta-feira, 31, segundo o delegado Marcelo Magalhães, da Polícia Civil local, o caso era tratado como acidente. Segundo ele, será investigada a responsabilidade das pessoas encarregadas de cuidar da menor. Ele admitiu a possibilidade de ter havido ainda um descuido dos responsáveis pelo estabelecimento. A morte foi registrada como averiguação de homicídio culposo, sem a intenção de matar. Os responsáveis pela escola começam a ser ouvidos na segunda-feira, 3.

A mãe da menina, filha única, está em estado de choque. A avó e o padrasto alegam que houve descuido da escola e pedem investigações. Procurada, a secretária de Educação do município, Ana Lúcia Bilard Sicherle, informou ter aberto uma sindicância para apurar eventual responsabilidade na esfera administrativa e que prefere aguardar os resultados da sindicância e da investigação policial. O corpo da menina foi sepultado nesta sexta-feira no cemitério municipal.