Reunião de três horas e meia entre a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e representantes da Infraero e do comando da Aeronáutica, em Brasília, teve direito a bate-boca e jogo de empurra, mas não chegou a nenhuma proposta de consenso para pôr fim ao caos aéreo vivido pelo País há nove meses. Segundo integrantes da CPI do Apagão Aéreo da Câmara Federal, que participaram da reunião, o clima de hostilidade é tão grande que a diretora da Anac Denise Abreu e o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, discutiram rispidamente.

Motivo da briga: Pereira reclamou da falta de informação sobre o horário dos vôos, na sala de embarque, por parte das companhias aéreas. Denise saiu em defesa das companhias e, de dedo em riste segundo deputados presentes, disse que esse tipo de informação é de responsabilidade da Infraero.

"É um jogo de empurra constante. O clima da reunião foi muito tenso", afirmou o deputado Rocha Loures (PMDB-PR). "A Anac e a Infraero não se entendem. Ficou claro que os problemas existem e agora não tem mais o bode expiatório dos controladores de vôo", disse Luciana Genro (PSOL-RS).

A proposta de reduzir os vôos nos horários de pico – pela manhã e no início da noite – para São Paulo, Rio e Brasília, defendida pela Aeronáutica, com aval da Infraero, enfrenta a oposição da Anac, que não esconde sua simpatia pelo pleito das companhias de manter a atual malha aeroviária. "A Anac está ao lado das empresas aéreas. Os vôos foram autorizados pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e pela Infraero", afirmou o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação (Snea), José Mollo.