Para encerrar uma crise que ameaçava a Polícia Militar de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afastou o comandante do Corpo de Bombeiros (CB), o coronel Marco Aurélio Alves Pinto, do cargo. Aurélio era apontado na corporação como o principal articulador na Assembleia Legislativa de uma Proposta de Emenda à Constituição do Estado (PEC) para separar os bombeiros da PM, o que já ocorre na maioria dos Estados. A PEC foi apresentada no dia 5 pelo deputado estadual coronel Paulo Telhada (PSDB).

Aurélio teve a remoção publicada no Diário Oficial do Estado no sábado, dia 15. Suas supostas manobras na Assembleia haviam colocado contra ele o comandante da corporação, Ricardo Gambaroni, e o principal assessor do secretário da Segurança, Alexandre de Moraes, para a PM, o coronel da reserva Roberto Alegretti.

Como Aurélio foi secretário-chefe da Casa Militar de Alckmin de 2013 a 2014, ele havia obtido o apoio de deputados à PEC. Segundo um coronel ouvido pelo jornal O Estado de S. Paulo, a crise política que se abriu na PM ameaçava atingir a gestão de Moraes.

Em São Paulo, a Constituição do Estado subordina o Corpo de Bombeiros à PM, mas determina a criação de um quadro de oficiais exclusivo para a corporação, o que nunca foi feito. Aurélio foi transferido para o Comando de Policiamento de Área-3, responsável pelo patrulhamento da zona norte de São Paulo, um cargo de terceiro escalão. Para seu lugar, Alckmin designou o coronel Rogério Bernardes Duarte. Procurados pela reportagem, tanto a PM quanto a Segurança Pública não se manifestaram.