As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), na Bahia, passam por sua mais grave crise financeira desde a morte da religiosa, em 1992. Tendo o Sistema Único de Saúde (SUS) como principal provedor (responsável por 83% de sua receita) e sem trabalhar com nenhum outro tipo de convênio particular, a entidade mantém a filosofia de sua mentora, que dizia que suas Obras eram “a última porta” e, portanto, não deveriam restringir atendimento aos necessitados. Hoje, a OSID é a maior instituição filantrópica na área de Saúde do Norte/Nordeste, respondendo pelo maior volume de atendimentos da Bahia (com mais de 1.000 leitos) e recebendo, inclusive, pacientes de quase todos os Estados brasileiros.

Mas a realidade dos últimos meses na instituição se traduz no déficit acumulado em R$ 1.684 milhão, somente no primeiro semestre (as despesas operacionais subiram em 13,40%). “Além de fatores como inflação, queda de receita, aumento de despesas, um dos principais agravantes desta crise foi, sem dúvida, o crescimento em 21,75% nos atendimentos do Hospital Santo Antônio e em 12,45% no Ambulatório, comparando-se dados de junho de 2002 a junho de 2003”, explica Maria Rita Pontes, superintendente da OSID. Segundo ela, ano passado, a instituição fechou seu balanço com déficit de R$ 1,7 milhão. “Se continuarmos neste ritmo, a projeção para este ano é que esse valor chegue a R$ 3,37 milhões”, diz a superintendente.

Maria Rita Pontes, que também é sobrinha de Irmã Dulce, mantém a fé e a confiança na solidariedade das pessoas que têm amparado a instituição durante todos esses anos. “A missão não pode se submeter às dificuldades. Irmã Dulce sempre enfrentou os obstáculos com criatividade e confiança, sem nunca prejudicar o atendimento à população carente”, afirma. Além de adotar drásticas medidas para contenção de despesas, a Superintendência da OSID lançou novo número telefônico (DDG) para arrecadação de doações (0800 284 5 284). De acordo com a superintendente, “a idéia de unir forças para melhor servir à população carente estende-se, não só a órgãos públicos, grandes empresas, artistas ou personalidades, mas também a profissionais liberais, comerciantes ou cidadãos comuns que, de alguma forma, queiram e possam nos ajudar neste momento delicado”.