São Paulo – Foi fácil decorar o nome do falso pai: era Manoel. Já para lembrar do nome da mãe, caso fosse interrogado, deu mais de trabalho: Valterita. O baiano Denival Souza Santos, de 21 anos, teve todas as instruções para virar um “genérico” de Renê Coelho Honorato, da mesma idade, só que com anotações na ficha criminal.

Santos recebeu carteira profissional com o nome de Honorato e, para tornar mais real a nova identidade, até clareou o cabelo. O plano deu certo. Enquanto Honorato, condenado a 5 anos por roubo e foragido de uma delegacia de São Paulo, passou a circular livremente, Santos virava seu prisioneiro de aluguel em Minas. Ajudante de padeiro desempregado, Santos aceitou o acordo para pagar uma dívida de R$ 800 com Honorato, contraída após bater a moto do bandido em um poste, na cidade de Embu, onde mora com a mãe. Por três meses, Santos representou o papel do assaltante na 15.ª Delegacia de Uberaba.

Depois de desmascarado, em junho, ele amargou outros quatro meses de cadeia – desta vez, cumprindo pena por falsidade ideológica. Foi solto no dia 10. A farsa só foi descoberta há poucos dias pela polícia paulista, quando, investigava a suspeita da participação de Honorato no roubo de malotes em Marília. Seguindo a pista do assaltante, os investigadores da 1.ª Delegacia souberam que ele estaria preso em Uberaba. Várias ligações para a cidade desfizeram o mistério. O baiano agora teme reencontrar o assaltante. “Ficar preso no lugar dele era o único jeito de pagar o conserto da moto. Hoje, nem se me dessem R$ 1 milhão eu iria para a cadeia no lugar de outra pessoa.”