São Paulo – Fundada há 20 anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) está numa encruzilhada no governo do petista. A crise do desemprego e a pressão dos movimentos sociais agrava ainda mais a crise de identidade da central. Para especialistas, a CUT pode inaugurar no governo Lula, o sindicalismo de negócios, nos moldes europeus. Atrelada ao Planalto, diz o professor de sociologia do trabalho na Unicamp Ricardo Antunes, um dos teóricos do PT, a central pode trocar as greves e os protestos pela gerência de fundos de pensão. O professor de economia internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro Reinaldo Gonçalves diz que um dos elementos da herança negativa do governo Lula será o maior enfraquecimento do movimento social e a maior fragmentação do movimento sindical. “Lula pode estar inaugurando a fase do “neopeleguismo”. Isso é lamentável, pois a CUT foi criada para combater o velho peleguismo de origem varguista”, afirma Gonçalves.