São Paulo – O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, considera mais importante um plano de recuperação da perda do valor do salário mínimo desde a sua criação do que especificamente um reajuste neste ano. Ele fez esta afirmação durante entrevista coletiva ontem em São Paulo para apresentar as reivindicações que proporá hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, às 15h.

A proposta da CUT prevê o salário mínimo em R$ 300,00 ainda este ano, o que significaria um aumento real acima de 5% além da inflação. “Eu prefiro sair da audiência com o presidente com um salário mínimo de R$ 290,00 e a garantia de que nos próximos anos haverá um trabalho de recuperação de seu valor do que ter a minha proposta de R$ 300,00 aceita, mas sem essa promessa”, afirmou. Segundo cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) o salário mínimo hoje deveria ser de R$ 1.442,46. O líder sindical disse que considera “ousada” a promessa de Lula durante a campanha de dobrar o valor do salário mínimo em seus quatro anos de mandato. Para isso ocorrer, de acordo com Marinho, seria necessário um acréscimo de 18,9% por ano além da inflação – em 2003 o aumento real foi de 1,35%. “É um valor muito alto, mas se o presidente falou, o nosso papel é cobrar”, disse. Para ele, o ideal seria um plano gradual de recomposição da massa salarial em 20 anos. “Não nos interessa as migalhas que sobram do Orçamento. Em qualquer governo isso é ruim, no de Lula é inadmissível.”

Empregos

O outro ponto que será levado ao presidente Lula amanhã por Marinho é o “Programa Coletivo de Trabalho”, que prevê a criação emergencial de um milhão de postos, principalmente em grandes centros urbanos. Os trabalhadores que seriam contratados segundo o programa, poderiam atuar no melhoramento dos equipamentos públicos e conserto de estradas, entre outros.

A intenção do presidente da CUT é que tanto os números do emprego/desemprego quanto os de renda sejam vistos como índices da economia doméstica para substituir indicadores como o risco-País.

Para líder do PMDB, US$ 100 é possível

Brasília

– O PMDB, maior aliado do governo federal, pretende bancar a proposta de reajuste do salário mínimo para US$ 100,00, o equivalente hoje a R$ 290,00. Segundo o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), “estudos mostram que a economia suporta este reajuste sem arrebentar o equilíbrio fiscal”. Calheiros informou, logo após reunião com o senador Aloizio Mercadante, que o PMDB vai trabalhar para convencer o governo federal de que o reajuste é possível. “Temos que construir uma convergência para um salário mínimo justo que não arrebente o equilíbrio fiscal”, afirmou o líder. Apenas com a reposição da inflação, como está previsto no Orçamento, o salário mínimo passaria para R$ 257,00.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, fez um apelo aos congressistas: que o reajuste aprovado pelo Congresso seja acompanhado das fontes que vão financiá-lo. Ziulkoski mostrou-se preocupado com um reajuste muito elevado e disse temer que isso acabe forçando municípios pequenos a desobedecerem à Lei de Responsabilidade Fiscal.

Quando anunciar o novo valor do salário mínimo, provavelmente na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentará inovações. O líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), afirmou que o presidente “está muito sensível no sentido de procurar um novo caminho para o tema do salário mínimo, que permita combinar o maior reajuste possível – dentro das restrições fiscais, que são severas”.