Nilo Bueno / Diário da Manhã

Delúbio: "A direita, e vou dar
nomes: a revista Veja, o
Estadão, a Folha de S. Paulo".

Brasília – O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acusou o Estado, a Folha de S. Paulo e a revista Veja de trabalharem em favor dos interesses "dos setores conservadores que querem derrubar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e voltar ao poder", durante cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), anteontem, em Goiânia.

"A direita, os conservadores, e vou dar nomes: a revista Veja, o Estadão, a Folha de S. Paulo querem fazer o impeachment do presidente Lula", afirmou. "Porque a mentira que foi apresentada em tudo quanto é capa de jornal e revista visa destruir não é Delúbio Soares, filho de Janira Alves e Antônio Soares. Eles querem destruir o projeto político que desenvolvemos para o País", afirmou Delúbio, de acordo com notícia divulgada pelo portal do PT na internet.

Delúbio conclamou os petistas que se achavam presentes à cerimônia a proteger o governo. "Se deixarmos, a direita vai querer fazer o impeachment do presidente", disse Delúbio, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser um dos operadores do chamado "mensalão", o esquema de pagamento de mesada a deputados para que votassem com o governo.

Ainda de acordo com o portal do PT na internet, Delúbio fez um discurso emocionado durante cerca de meia hora e chorou por três vezes. Ele se recusou a dar entrevistas. "Estou falando tudo agora, mas não vou atender à imprensa depois. Estou num diálogo com a minha categoria." O tesoureiro do PT acrescentou: "Vou falar na CPI e na Comissão de Ética, quero que me convoquem para mostrar ao Brasil que o PT não compra deputado, o PT não compra voto, o PT tem é projeto político para governar o País", afirmou o tesoureiro. Ele ainda não foi convocado pela CPI.

"Imaginem vocês se o PT ia comprar voto de deputado, se ia carregar malas de dinheiro. E isso os caras falam na maior cara dura. Não têm uma prova. É mentira." Delúbio se disse vítima de forças que não admitem "o presidente Lula governar por mais quatro anos". "Querem fazer coro para (os senadores) Antonio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, os responsáveis pela miséria deste País. Porque sempre estiveram no governo e agora estão fora. Eles não admitem acabar com a fome no Brasil. Isso é afronta à sociedade brasileira tradicional."

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), reagiram com um misto de indignação e deboche às críticas feitas pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, durante solenidade pública anteontem, em Goiânia.

"Não há título maior para mim do que ser atacado pelo senhor Delúbio, o maior ladrão da República, porque ele só existe em virtude de o presidente Lula não selecionar suas amizades e, o que é pior, seus colaboradores que estão corroendo o País", disse ACM de Salvador, para lembrar que "o ladrão vai depor" e que ele estará presente para ouvi-lo na ocasião. Bornhausen, por sua vez, disse que só responderá ao tesoureiro petista depois de ele prestar conta de seus atos à Polícia Federal, ao Conselho de Ética da Câmara e à CPI dos Correios.