A Comissão Executiva Nacional do DEM (ex-PFL) divulgou uma nota acusando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter mobilizado agentes do aparato de inteligência do Estado brasileiro para localização, captura e rápida deportação dos dois pugilistas de Cuba que abandonaram a delegação de seu País durante os Jogos Pan-Americanos, no Rio, supostamente para se mudarem para a Europa. "Causa espécie a utilização dos serviços de inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública como um prolongamento da Polícia Política do ditador Fidel Castro, bem como o curtíssimo espaço de tempo entre a captura e a deportação dos atletas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara localizados e detidos na quinta-feira passada e embarcados, já na noite do sábado, em um vôo com destino a Cuba", afirma a nota.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), anunciou que, na sessão de quinta-feira próxima, apresentará requerimento convocando autoridades do governo brasileiro a explicarem o episódio. O delegado Felício Laterça, da Delegacia de Polícia Federal em Niterói (RJ), disse que informou aos dois atletas de que tinham o direito de pedir refúgio no Brasil e aguardar, sem sair do País, a tramitação e o julgamento do pedido por um órgão independente das Nações Unidas e que os Rigondeaux e Lara preferiram voltar logo para Cuba.

Heráclito Fortes comparou o episódio dos dois cubanos ao da militante comunista Olga Benário, mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes, presa durante a ditadura de Getúlio Vargas e deportada para a Alemanha, onde morreu em um campo de concentração nazista. Na nota, o DEM afirma que está apreensivo com o destino que aguarda os dois cubanos. "Pois o governo de Cuba, inicialmente, anunciou que os atletas não seriam presos, mas, após eles terem embarcado, revelou que ficarão retidos em casas especiais do Estado, onde poderão receber a visita dos seus familiares." No final da nota, o DEM afirma que "serão de integral responsabilidade do governo Lula os constrangimentos físicos e psicológicos impostos aos atletas cubanos, bem como qualquer tipo de punição política que venham a sofrer em seu país.