Brasília – O partido Democratas decidiu nesta terça-feira (7) entrar com representação no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra de decoro parlamentar. Segundo o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), o partido vai buscar apoio de outras legendas de oposição, como o PSDB, para entrar com a representação no conselho.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que o argumento usado para a representação será a denúncia publicada na última edição da revista Veja de que Renan Calheiros teria usado ?laranjas? para adquirir veículos de comunicação em Alagoas, além do fato de a transação não ter comunicada à Receita Federal e à Justiça Eleitoral.

De acordo com Agripino, a decisão, tomada em reunião da bancada, foi por ?esmagadora maioria?.Sobre o apoio de outros partidos, ele disse que aguarda uma posição do PSDB. "Desejamos que [a posição] seja consoante com a nossa para fazer uma representação única e encaminhar à Secretaria-Geral da  Mesa, para que a matéria seja apreciada pela Mesa e chegue ao Conselho de Ética.?      

O DEM pretende ainda buscar entendimento com outros partidos para obstruir as votações em plenário. ?Vamos  procurar o PSDB, o PDT, outros partidos de oposição, e mesmo alguns representantes do PMDB e do governo, que também pretendam fazer obstrução, para que possamos discutir os termos dessa obstrução e para que ela possa ser eficaz?,afirmou Torres.

Agripino ressaltou que a intenção do partido é não dar quórum às sessões até que Renan Calheiros se licencie da presidência do Senado. ?Se o vice-presidente [Tião Viana, do PT do Acre], ou qualquer dos integrantes da mesa, presidir a sessão, não haverá qualquer dificuldade de se apreciar a pauta que esteja em votação?, afirmou.   

Na reunião, foi decidido também que o partido indicará para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o senador Marco Marciel (PE). A presidência da CCJ era ocupada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (BA), falecido em 20 de julho.