O depoimento do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, marcado para esta terça-feira (7), será o ponto de partida da investigação sobre a pilhagem de documentos e objetos de vítimas do acidente com o avião da Gol, em setembro do ano passado. O presidente interino da CPI, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse hoje que Saito será questionado sobre as denúncias, publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo ontem. A reportagem mostrou que o documento de uma vítima chegou a ser usado para obtenção de um financiamento para compra de um carro. Em outro caso chocante, o celular de uma das vítimas foi parar o Rio de Janeiro. O receptor do aparelho ligou para o marido da vítima e informou sobre o roubo.

Os parlamentares das CPIs da Câmara e do Senado se disseram estarrecidos com as notícias da pilhagem. O deputado Wanderley Macris (PSDB-SP) anunciou que encaminhará requerimento para que a Aeronáutica dê informações oficiais sobre a responsabilidade da guarda dos bens dos 154 mortos no acidente. O presidente da CPI do Senado, Tião Vianna (PT-AC), também pedirá informações à Aeronáutica. "Tenho grande respeito pela Aeronáutica e acredito que eles trabalharam com responsabilidade. Mas vamos pedir um esclarecimento, porque ficou claro que há um ponto de vulnerabilidade", afirmou o senador. "É um caso estarrecedor e mostra o nível civilizatório em que está a sociedade", lamentou Vianna.

Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), a pilhagem "é mais um fator que mostra o tamanho da falta de estrutura (no setor aéreo) e um motivo a mais para o drama das famílias". Fruet defende que seja aberta uma investigação para tentar recuperar os bens que famílias acreditam terem sido pilhados. "É inacreditável o que aconteceu", disse o deputado tucano. Segundo Eduardo Cunha, a partir das informações do brigadeiro Saito sobre o desvio de documentos e objetos, a CPI vai decidir que outros órgãos do setor aéreo ou da polícia deverão prestar esclarecimentos sobre o crime e apontar os responsáveis pelo recolhimento, guarda e envio do material aos parentes das vítimas.