Brasília – O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), chorou ontem de manhã ao comentar os graves incidentes durante a votação da reforma da Previdência, anteontem. Ele se mostrou particularmente magoado com o tratamento dado no noticiário à sua decisão de permitir a entrada de policiais armados na Casa para garantir os trabalhos da Comissão Especial da Reforma da Previdência. Os jornais o acusaram de ter, com o gesto, violado um preceito básico da democracia, algo não ocorrido nem durante os dias mais tenso da Assembléia Nacional Constituinte. Durante os choques entre manifestantes e a polícia, um sindicalista foi espancado e preso quando tentava entrar à força na Câmara. Vários manifestantes ficaram feridos na pancadaria ocorrida na entrada do Anexo II da Câmara, guarnecida pelo Batalhão de Choque da PM de Brasília. As cenas do incidentes arranharam a imagem da instituição.

Ao discursar na solenidade de lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, o deputado demonstrou estar abalado com o clima de guerra criado em torno da votação. Com voz embargada, e chegando às lágrimas, ele disse que sua preocupação foi preservar a democracia.