A falta de opção leva muitos brasileiros
a trabalhar no mercado informal.
Ambulantes tomam as capitais do País.

São Paulo – O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, admitiu ontem que o governo ainda não conseguiu enfrentar o desemprego da forma como o País necessita, mas disse que a geração de vagas no primeiro trimestre foi a maior dos últimos 12 anos. “O Brasil neste momento, não conseguiu enfrentar a questão do desemprego na dimensão que o País exige, mas o que há de positivo é que a geração de empregos é positiva, fortemente positiva neste ano”, disse.

Palocci comentava pesquisa divulgada ontem pelo Seade-Dieeses que mostra que a taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo subiu de 19,8% em fevereiro para 20,6% em março, igualando o recorde histórico já alcançado em abril, maio e setembro de 2003. Para críticos do governo, a frágil situação do mercado de trabalho deve-se à política de juros e superávites primários (receita menos despesa, excluído o pagamento de juros) altos implementada pelo governo federal.

Segundo Palocci, o aumento do desemprego deve-se ao crescimento da procura por vaga. “Continua havendo um fenômeno de crescimento da procura do emprego e crescimento do número de vagas abertos”, afirmou. Segundo o Dieese, 74 mil pessoas passaram a engrossar a fila do desemprego em março.

A Região Metropolitana de São Paulo tem dois milhões de desempregados, segundo pesquisa divulgada pela Fundação Seade/Dieese. A taxa de desemprego aumentou de 19,8% em fevereiro para 20,6% da População Economicamente Ativa (PEA) em março. Esse índice é recorde da série e se iguala ao mesmo patamar registrado nos meses de abril, maio e setembro passado.

Foi a terceira alta consecutiva na taxa de desemprego na região. Em fevereiro, o número de desempregados atingiu 1,926 milhão. Em março, o contingente de desempregados aumentou em 74 mil pessoas, por eliminação de 94 mil ocupações. Cerca de 20 mil pessoas deixaram de procurar emprego em março.

Entre dezembro de 2003 e março de 2004, foram fechados 306 mil postos de trabalho na região metropolitana. Em dezembro, havia 8,013 milhões de pessoas ocupadas na Grande São Paulo. Em março, o levantamento revelou 7,707 milhões de ocupados.

Em números absolutos, este foi o terceiro pior início de ano já registrado pela pesquisa, iniciada em 1985. Os piores foram em 2002, com 332 mil empregos eliminados, e 1992, com 472 mil. Em termos percentuais, foi a quarta maior queda: entre dezembro e março, a eliminação de ocupações atingiu 3,8% este ano, 4% em 1990, 4,2% em 2002 e 6,9% em 1992.