Em uma década (2000 a 2010), a desigualdade caiu no Brasil, mas essa redução não se deu na mesma velocidade em todo o país, segundo o IBGE. Desse modo, ainda persistem níveis distintos de concentração de renda entre as Unidades da Federação.

O índice de Gini para todo o país sofreu uma queda de 11,8% nesse período, chegando a 0,536 em 2010. As menores reduções no nível de desigualdade ocorreram no Distrito Federal (1,3%), Piauí (2,7%), Sergipe (2,90%) e Paraíba (3,8%). A Bahia foi o único Estado onde a concentração de renda cresceu (0,7%).

Já as quedas mais expressivas do índice foram registradas em Santa Catarina (23,8%), Mato Grosso (16,3%), Rio Grande do Sul (15,7%) e Paraná (16,8%). Esses Estados se mantiveram, nessa ordem, com os menores níveis de desigualdade do país. Em São Paulo, houve recuo de 12,9%, acima da média do país.

O índice de Gini é uma medida de concentração de renda. Quanto mais perto de zero, melhor é a distribuição dos rendimentos. Ou seja, uma queda do índice mostra redução da desigualdade. Nesse caso, o IBGE considerou apenas a renda do trabalho das pessoas com mais de dez anos.

Para se ter uma ideia da diferença dos níveis de desigualdade, o índice de Gini do Distrito Federal era de 0,594 em 2010, enquanto o de Santa Catarina se situava em 0,464. Em São Paulo, sétimo Estado com a melhor distribuição de renda, o índice ficou em 0,514.

Segundo Vandeli Guerra, técnica do IBGE, a redução da desigualdade se deveu à maior oferta de emprego e sobretudo ao fato de os salários mais baixos terem subido num ritmo mais acelerado nos últimos anos, reduzindo “um pouco” a distância entre os maiores e menores rendimentos.

As pessoas na faixa dos 10% de salários mais baixos viram sua remuneração mensal subir 36%. No grupo seguinte (de 10% a 20% dos menores rendimentos), o aumento foi ainda maior: 56%.

Já no grupo de 80% a 90% dos rendimentos mais altos, houve avanço de apenas 3,6%. A única na qual houve queda foi na dos 10% de maiores rendimentos, com perda real (considerando a inflação) de 5,3%.

A distância entre as remunerações de cada faixa, porém, se manteve elevada. Os 10% “mais ricos” tinham um rendimento médio de R$ 6.097 em 2010, enquanto os 10% “mais pobres” recebiam R$ 174 -muitas dessas famílias dependem da produção de alimentos para próprio consumo e de programas de assistência do governo, que não entram no cálculo do índice de Gini do rendimento do trabalho.

De acordo com Guerra, as faixas que mais ganharam foram as de rendimento próximo ao salário mínimo, que teve ganhos reais sucessivos na última década.