Um surto de psitacose, doença transmitida por papagaios e araras aos humanos, atingiu 27 pessoas no Rio Grande do Sul desde o início de dezembro. Seis delas tiveram de ficar internadas. Três estão num hospital de Rio Pardo, uma em Santa Maria, uma em Cruz Alta e uma em Torres. Outras 21 receberam atendimento ambulatorial e seguem em tratamento domiciliar, a maioria em Porto Alegre. A bióloga sanitarista Marília Reichelt Barbosa, do Centro Estadual de Vigilância Sanitária em Saúde da Secretaria da Saúde, acredita que novos casos da doença poderão ser notificados nos próximos dias.

Os primeiros sintomas da psitacose são muito parecidos com os de uma gripe e, por isso, podem levar a um diagnóstico errado. Se não for detectada e tratada adequadamente, com antibióticos, a doença pode evoluir de dores de cabeça, febre e náusea para uma pneumonia atípica e até mesmo para inflamações do miocárdio e do pericárdio e a morte. Segundo Marília, a bibliografia considera rara a possibilidade de transmissão entre humanos.

O surto começou com a apreensão de 481 pássaros silvestres por agentes da Patrulha Ambiental da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e da Polícia Federal, em Pantano Grande, no centro do Estado, no dia 28 de novembro. Amontoadas pelos traficantes dentro de caixas de papelão, quase todas as aves acabaram se infectando pelo contato com a bactéria existente nas fezes secas de algumas dela, já doentes.

Os pássaros ficaram um dia na sede de um batalhão da Brigada Militar em Rio Pardo, depois foram transferidas para o Hospital Veterinário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Porto Alegre, e parte deles ainda foi enviada ao Zoológico Municipal de Canoas, a uma clínica veterinária em Porto Alegre e até a casas de estudantes. Poucos dias depois do contato com as aves, policiais, veterinários, professores e alunos começaram a sentir os sintomas da doença. Cerca de cem aves que estavam na UFRGS foram sacrificadas. As demais, nos outros abrigos, estão sob observação.

Este é o terceiro surto de psitacose nos últimos cinco anos no Estado. O primeiro ocorreu em dezembro de 2003 e atingiu sete pessoas de uma família de 13 que havia comprado três aves, em Cachoeirinha. O segundo, em janeiro de 2006, foi resultado de uma apreensão de 94 pássaros em Pelotas. Assim como no caso atual, 14 fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), policiais, alunos e professores da Universidade Federal de Pelotas adoeceram depois de manusear as aves. Nenhum óbito foi registrado.