Marcello Casal Júnior/ABr
Mercadante: recado direto para ?candidatos? na base aliada.

Ribeirão Preto – O senador Aloísio Mercadante (PT) afirmou ontem, em Ribeirão Preto, que é ?mais do que recomendável? que o PT tenha um candidato próprio para as próximas eleições presidenciais, em 2010, embora ainda considere muito cedo para especular a respeito de um possível sucessor. ?Agora é hora de governar?, enfatizou.

Questionado sobre a crescente participação do PMDB no governo Lula e se isso poderia representar um apoio velado do presidente ao partido aliado, Mercadante afirmou que é legítimo as legendas terem expectativas neste sentido quando o governo é de coalizão. ?O PT, diferente de outros partidos, não vive só de eleição, tem vida militante, partidária. Quem vai ser o sucessor não preocupa o partido neste momento?, afirmou.

Mercadante disse ainda que o PT não vai construir uma estratégia olhando para os adversários. ?O que importa é a qualidade do nosso governo, e é isso que vai nos permitir fazer o sucessor?, concluiu. O senador participou em Ribeirão de um debate sobre o álcool, promovido pela EPTV, o jornal A Cidade e a Faculdade de Economia Administração e Contabilidade de Universidade de São Paulo.

Sucessão

O mais curioso em relação à sucessão do presidente Lula é que o seu partido e mesmo o presidente, embora alerte que ainda é cedo para falar no assunto, são os que mais tocam nele. Na entrevista coletiva desta semana, Lula dedicou bons minutos a sua sucessão. O presidente afirmou que gostaria de chegar forte ao fim do mandato para fazer o seu sucessor, numa alusão ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que não conseguiu eleger o seu candidato à sucessão.

Lula chegou a insinuar que não descartaria uma aliança com o PSDB, embora também alertasse que ainda é cedo para falar no assunto. Nos últimos dias, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) também bateu na tecla em que bate Mercadante: seria interessante o PT lançar um candidato. Ideli inclusive chegou a mencionar que na hora de escolher o sucessor de Lula, a base aliada vai brigar e ninguém vai se entender. A senadora inclusive usou a expressão ?mosca azul?, dos que se sentem atraídos pelo poder.

Enquanto isso, na oposição, o governador Aécio Neves (PSDB-MG) faz movimentos suspeitos em direção ao presidente Lula, levantando suspeitas de que poderia se mudar para o PMDB caso garantisse que seria o candidato do partido à presidência e que teria também o apoio de Lula. Tudo isto, porque ainda é cedo para tocar no assunto. E o segundo mandato de Lula nem chegou à metade do primeiro ano.