Itaici – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escalou ontem o bispo dom Anuar Battisti, de Toledo no Paraná, para responder à pesquisa feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), segundo a qual 41% dos padres consultados já tiveram experiência sexual com mulheres. Para o bispo, a situação é preocupante, mas “é um desvio normal em qualquer ser humano e não se trata de um desvio de caráter ou de conduta”.

Para dom Anuar, que é presidente da Comissão para Ministérios Ordenados e Vida Consagrada, órgão que cuida da formação dos padres na CNBB, o importante é que a pesquisa constatou também que 94% dos padres estão satisfeitos com o fato de serem padres e servirem a Deus. Ele disse que a Igreja Católica está trabalhando para melhorar a formação dos padres.

Outro dado que preocupa a CNBB, segundo dom Anuar, é a incidência de pedofilia entre os padres. A CNBB tem encaminhado os casos que surgem para tratamento psicológico e caso o padre reincinda na ocorrência que a Igreja condena, é afastado em definitivo. Segundo dom João Brás de Aviz, de Brasilia, a pedofilia entre padres no Brasil ainda ocorre em índices muito baixos.

Segundo a pesquisa encomendada, 41% dos 1.831 padres entrevistados revelaram que, depois de ordenados, tiveram alguma experiência sexual com mulheres. O mesmo levantamento mostrou que 62% dos padres discordam da afirmação de que o homossexualismo é uma negação da vontade de Deus e que 41% acreditam que o celibato deveria ser facultativo.

Os resultados serão apresentados hoje durante a 42 Assembléia Geral da CNBB, em Itaici, a cerca de 90 quilômetros da capital paulista. De acordo com o diretor-executivo do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), Luiz Antônio Gomez de Souza, foram distribuídos 16,6 mil questionários, mas apenas 1.831 foram respondidos (11% do total).

“O que mais nos chamou a atenção foi o fato de que um número próximo à metade teve um relacionamento, digamos, não só no plano platônico com mulheres”, disse Souza.