São Paulo – O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse ontem, em São Paulo, que as denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) estão incomodando, mas afirmou que não aceita as acusações sem provas. Severino, que participou de uma almoço no Secovi de São Paulo, o sindicato da habitação, as denúncias ‘sei disso, mas não provo’ não existem.

"Ele (Jefferson) não tem provado absolutamente nada, mas não deixa de incomodar. O que nós queremos é que seja saneado. Nós não podemos ficar em uma casa onde existem denunciados, existem parlamentares que não estão cumprindo com o seu dever. De minha parte, como presidente, vou investigar de cima abaixo todas as denúncias. Agora, o que não se pode aceitar são essas denúncias ‘sei disso, mas não provo’. Ora, ‘sei disso mas não provo’ não existe. Tem que existir uma prova. Não posso dizer uma coisa contra a senhora (falando a uma repórter), por exemplo, sem ter uma prova", disse Severino.

Lembrando que não ‘morre de amores’ pelo governo, e que sua candidatura à presidência da Câmara era contra os interesses do Palácio do Planalto, Severino defendeu a apuração das denúncias e classificou como ‘louvável’ a punição a diretores de Furnas. "Acho que a sociedade devia até bater palmas porque o governo está aceitando as denúncias e punindo, demitindo aqueles que estão sob suspeita. Mais louvável do que isso não podia ser. Não morro de amores pelo governo, fui eleito contra o governo, derrotei o governo já várias vezes. Então, estou falando como brasileiro. E como brasileiros nós temos que fazer tudo para encontrar uma maneira de que administração do presidente possa continuar. Nós estamos em um regime democrático e, claro, as denúncias têm que ser apuradas", afirmou.

Para o presidente da Câmara dos Deputados, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de demitir os diretores de Furnas significa que ele quer ‘a purificação de seu governo’. Segundo ele, o governo merece um crédito de confiança. "O que se vê, que o presidente já demite três diretores de uma empresa (Furnas), é porque ele quer chegar realmente a um denominador comum, que é a purificação de seu governo. Se tem algumas falhas ele já está punindo. Então, vamos dar um crédito de confiança. Antes de ser presidente da Câmara, e ser deputado, eu sou brasileiro", disse.

É muita CPI no Senado!

Brasília – O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), disse ontem, em discurso no plenário, que a bancada do partido – a maior do Senado, com 23 senadores – "é pequena para tanta CPI". Ele anunciou uma reunião de líderes ainda ontem para decidir os temas prioritários para criação de comissões parlamentares de inquérito.

"Fico pasmo com a riqueza política da bancada do PMDB, composta por senadores como Pedro Simon (RS) e Alberto Silva (PI), que acabaram de falar nesta tribuna para apresentar propostas políticas e administrativas ao governo, mas chego a pensar na necessidade de "uma bancada de reserva" diante da quantidade de CPIs que estão sendo criadas no Congresso", afirmou.

Ney Suassuna dedicou, porém, a maior parte do seu discurso para tratar do problema das dívidas dos produtores rurais. Ele disse que ficou surpreso com a quantidade de tratores enviados a Brasília, somente de Goiás, quando no seu estado, a Paraíba, faltam enxadas e equipamentos mais primitivos para os agricultores do semi-árido. Ele lembrou que os agricultores nordestinos, além da falta de recursos técnicos, enfrentam a falta de chuva.