Uma emenda à Constituição que equipara os salários dos policiais civis nos Estados aos dos promotores de Justiça está pronta para ser votada no plenário da Câmara. Governadores de Estado consideram a proposta um ataque ao equilíbrio das contas estaduais. Estimativas preliminares apontam um acréscimo nas despesas de R$ 259 milhões nos primeiros 12 meses de vigência, só no Estado de São Paulo, com o pagamento dos 3.274 delegados da Polícia Civil. Em Minas, o impacto também seria enorme, alcançando a casa do R$ 1 bilhão de aumento de gastos.

A proposta de isonomia salarial beneficia também os cerca de 2 mil delegados da Polícia Federal, que hoje ganham entre R$ 11,6 mil e R$ 16,6 mil, e passariam a receber R$ 21,9 mil mensais. ?O importante nessa emenda é considerar os delegados de polícia como uma carreira jurídica. Esse é o grande foco da proposta. O objetivo principal do projeto não é o salário?, afirma o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que apresentou a emenda em maio de 2006. Outras carreiras jurídicas do Estado, porém, possuem tetos mais baixos.

Em seu parecer de 11 páginas, o relator da emenda, deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), argumenta que a categoria foi usada ?indevidamente para reprimir a ação de adversários políticos? durante o período da ditadura militar. Régis alega ainda que os delegados de polícia estão ?desmotivados e necessitam exercer atividades paralelas para sobreviver? por causa dos baixos salários.

Faria de Sá apresentou a emenda à Constituição a pedido da Associação de Delegados da Polícia Civil de São Paulo, que também adotou discurso de que o mais importante não é o aumento salarial. ?O importante é colocar a polícia na função judiciária?, diz Renato Flor, assessor de imprensa da entidade. ?Vemos o projeto como a salvação da segurança pública. Essa proposta pode resgatar a auto-estima do policial.

Caos fiscal

O Ministério Público desaprova, no entanto, a proposta de equiparação salarial entre os delegados de polícia e os procuradores. ?Se essa emenda for aprovada, será o caos do ponto de vista fiscal, principalmente para os Estados?, afirma o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Antônio Carlos Alpino Bigonha.

Segundo ele, a emenda vai gerar um efeito cascata em todo o País todas as vezes que houver aumento do salário do procurador-geral da República.

?Do jeito como está, o reajuste é automático tanto para os policiais federais quanto para os policiais nos Estados?, diz Bigonha. ?Não pode existir essa subordinação salarial entre Ministério Público e polícias. Isso é uma interferência de um Poder em outro.? Para ele, a proposta de emenda tem apenas o objetivo de aumentar os salários dos policiais. ?Não precisaria mudar a Constituição. Bastaria que fizessem uma campanha para aprovar reajuste.?

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo