Boa Vista – A empregada doméstica Raimunda Souza da Conceição, de 63 anos, só foi descobrir que era um “gafanhoto” de Roraima quando um delegado chegou a sua casa para interrogá-la. Oito meses antes, às vésperas da campanha de 2002, ela fora levada ao cartório pela secretária da ex-deputada Suzete Macedo de Oliveira, que lhe oferecia ajuda financeira. Analfabeta, jamais soube o que dizia o documento em que deixou as impressões digitais. “Não sei ler, não sabia o que estava escrito. Apenas sabia que era para ganhar uma ajuda. Tem muita gente aqui em casa para comer”, disse. Durante esse tempo, a empregada só recebeu R$ 30, sendo uma parcela de R$ 20 e outra de R$ 10. Por isso, Raimunda entrou em desespero quando o delegado mostrou um recibo de R$ 1,5 mil que teria sido pago a ela. A primeira reação de Raimunda foi tentar devolver os R$ 30 que tinha recebido. Teve de ser acalmada pelos policiais. “Juro por Deus que nunca recebi o dinheiro. Nunca recebi, por essa luz de Jesus! Nunca trabalhei no governo. Não minto, só digo a verdade”, disse. Raimunda contou que sua filha Francisca, também doméstica, trabalhou na casa da mãe de Suzete. Ela identificou Lize da Rocha Pereira, assessora da ex-deputada, como a pessoa que a levou ao cartório com a falsa promessa de ajuda. Suzete e Lize foram presas na operação “Praga no Egito”, da Polícia Federal, e soltas na sexta-feira. A PF, no entanto, tomou o depoimento de mais de 500 gafanhotos e os considera vítimas da esperteza alheia. Para fazer o contraponto, os delegados fotografaram as casas de todos os gafanhotos e as de alguns deputados flagrados desviando as verbas destinadas ao pagamento dos servidores do Estado.