Luiz Costa / Futura Press
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A cegonheira apreendida e Minas
Gerais pela PRF vinha da capital
cearense: dinheiro escondido.

Belo Horizonte (AE) – A Polícia Federal (PF) conseguiu recuperar R$ 3 milhões dos R$ 164,7 milhões roubados do Banco Central de Fortaleza no último fim de semana. As notas estavam escondidas em 2 dos 11 carros transportados no caminhão-cegonha apreendido na última quarta-feira na Rodovia BR-040, na altura de Sete Lagoas (MG). A primeira parte do dinheiro, R$ 1 milhão, foi encontrada logo depois de o motorista da cegonheira ter parado num posto policial. As notas estavam no fundo do caminhão e numa Mitsubishi L200. A PF achou o resto do dinheiro ontem, numa Montana. Quatro pessoas estão presas.

Segundo um delegado que participou da apreensão, a PF sabia que parte dos R$ 164,7 milhões roubados estava nos dois carros, que fazem parte de um lote de dez comprados pela quadrilha em Fortaleza. O caminhão vinha sendo monitorado desde a saída do Ceará.

A Mitsubishi L-200 e a Montana foram as primeiras a passar por vistoria, por causa das informações obtidas pela polícia, mas os outros nove veículos também serão vasculhados. Um Citröen C3 – pertencente ao dono de uma revendedora de veículos de Fortaleza suspeito de ligação com a quadrilha – será um dos primeiros analisados. Os peritos ainda vão voltar a analisar a Mitsubishi, pois desconfiam que mais dinheiro possa estar escondido no carro além dos R$ 1.010.100,00.

A Montana só começou a ser periciada na tarde de ontem, na Superintendência da PF em Belo Horizonte, depois que o dinheiro apreendido na Mitsubishi foi conferido no BC de Minas e depositado na Caixa Econômica Federal. Até o início da noite, haviam sido localizados R$ 2.085.000,00 na lataria. Os bandidos rechearam a tampa da carroceria e introduziram maços de R$ 5 mil em espaços como o do degrau que dá acesso à carroceria e o de alto-falantes.

Na carreta, apreendida por volta de 16 horas da última quarta-feira, estavam o motorista Rogério Maciel e seu patrão, o dono da Transportadora J.E., José Charles Machado de Morais. Eles foram detidos em flagrante e tiveram a prisão temporária decretada. Morais alegou que viajava com o empregado porque queria economizar o dinheiro de passagens aéreas para São Paulo, onde teria negócios. Nenhum dos dois tem antecedentes criminais. Na avaliação do delegado que participou da operação, o motorista não deve estar envolvido com o roubo. ?Temos suspeitas em relação ao dono da transportadora.?

Também foi decretada ontem a prisão dos empresários José Elizomarte e Dermival Fernandes, donos da Brilhe Car, de Fortaleza, que vendeu os dez carros à quadrilha. A PF não revelou o motivo pelo qual pediu as prisões. O advogado dos empresários, Paulo César Feitosa, também disse não saber a razão da medida. Ele revelou que agentes da PF voltaram à revendedora para buscas.

A PF deslocou o delegado Antônio Celso de Brasília para coordenar a operação em Minas. Em entrevista por telefone, ele não afastou a hipótese de que os automóveis recheados com pequena parte do dinheiro sejam uma tentativa de confundir a polícia. Segundo peritos, as notas foram bem escondidas, apesar de a PF não ter tido dificuldades para achá-las. ?Sabiam o que estava fazendo.?

Outro delegado disse não acreditar que o dinheiro seja uma isca. ?Quem despista usa no máximo R$ 100 mil.? Ele acha que os R$ 3 milhões são a parte que coube a algum integrante do bando. Em nota, a PF informou que as investigações prosseguem em ritmo acelerado em vários Estados. A polícia tenta descobrir quem iria receber os carros.

Valor exato

O Banco Central informou no início da noite de ontem que o total de dinheiro roubado em sua caixa-forte em Fortaleza, no Ceará, neste final de semana, por uma quadrilha que fez um túnel de mais de 70 metros foi maior do que o divulgado: de R$ 164.755.150, e não R$ 150 milhões, como havia sido estimado pela Polícia Federal no início das investigações.

O BC chegou ao novo valor depois que a PF liberou o local para o BC fazer a contagem. As informações foram divulgadas pela Assessoria de Imprensa do Banco Central.