Brasília – As comemorações dos 357 anos do Exército, realizadas ontem no Quartel-General da Força, em Brasília, foram marcadas por protestos de esposas de militares que pediam aumento salarial para a categoria. Carregando faixas e vestidas de preto, cerca de 20 mulheres reivindicavam o pagamento da segunda parcela do reajuste salarial dos militares de 23% prometido pelo governo. Segundo as manifestantes, o aumento deveria ter sido concedido no início desse ano. No ano passado, os salários dos militares foram corrigidos em 10%. ?Nós não agüentamos mais tanto arrocho salarial?, disse a vice-presidente da Associação Nacional das Esposas dos Militares, Marina Bavaresco. Soldados montaram um bloqueio que impediu a aproximação das manifestantes ao palanque onde estava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar. As mulheres queriam entregar uma carta ao presidente Lula. As manifestantes também distribuíram outro documento, que será entregue ao Congresso Nacional, em que pedem um reajuste emergencial de no mínimo 40% para as três forças. Na mensagem presidencial, lida por uma locutora na cerimônia, Lula reconheceu que é preciso melhorar os salários dos militares e a estrutura das Forças Armadas. ?Somente quando pudermos recuperar o poder aquisitivo de todos aqueles que trabalham na defesa da nação, dando a eles condições de trabalho adequadas e salário digno e justo, é que o estado voltará a ser um verdadeiro estado democrático e republicano?, disse o texto. Marina Bavaresco disse também que, nos últimos meses, houve três suicídios de militares que estavam endividados. O general Marius Teixeira Neto, comandante militar do Planalto Central, conversou com as esposas.