Brasília – O esquema de financiamento de candidaturas, montado em 1998 pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza a pedido do ex-tesoureiro do PSDB de Minas Gerais Cláudio Mourão, ajudou a eleger no Estado pelo menos 17 deputados estaduais e três federais que apoiavam a reeleição do presidente nacional do partido, senador Eduardo Azeredo, como governador. Os nomes dos beneficiários do chamado "mensalinho" constam de uma lista de 79 depósitos entregue hoje por Valério à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão, totalizando R$ 1,8 milhão que teria sido repassado a políticos do PSDB, PPB (atual PP), PDT, PSB, PFL, PTB e PSD.

A lista é encabeçada pela ex-senadora Júnia Marise (PDT-MG), que não conseguiu se reeleger em 1998, ao enfrentar o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, candidato do PL, na ocasião. Na época, Marise recebeu dois repasses do empresário, num total de R$ 200 mil.

De acordo com Valério, a origem do dinheiro seriam empréstimos bancários obtidos por ele para financiar a campanha de Azeredo – mesma explicação dada agora para o dinheiro entregue ao PT e aos partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do total de R$ 9 milhões que o empresário obteve em 1998 no Banco Rural, R$ 1,8 milhão teria sido repassado a candidatos que tinham o apoio do atual presidente nacional do PSDB.

A lista, segundo Valério, teria sido entregue por Mourão e tinha por objetivo criar uma base de apoio na Assembléia Legislativa. Dos 17 deputados estaduais eleitos, cinco eram do PSDB, três do PPB, três do PDT, três do PSB, dois do PFL e um do PTB.