Brasília – Parlamentares da ala esquerda do PT aprovaram na tarde de ontem a criação de um grupo dissidente chamado PT Livre. Esse grupo não irá aceitar imposição em relação a projetos encaminhados pelo Executivo. Não deverá participar mais das reuniões da bancada do PT. E quem ocupa vice-liderança vai deixar o cargo. O grupo agendou para hoje um encontro com o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, para pedir que as investigações do Ministério Público se estendam a todos os níveis do governo.

Outra decisão do grupo é a defesa de que qualquer parlamentar petista que renuncie não tenha legenda para disputar as eleições de 2006. Os parlamentares dissidentes também podem entregar os cargos que ocupam em comissões no Congresso. Os dissidentes irão aguardar o resultado da eleição interna do PT em setembro e o resultado da escolha da nova direção para decidirem se deixam ou não o partido.

De acordo com o deputado João Alfredo (PT-CE), a decisão de criar a dissidência veio por causa da despetização e com a inflexão mais à direita do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "A decisão de criarmos a dissidência teve início com a inflexão mais à direita do governo federal. O presidente Lula despetizou o seu ministério e deu mais cargos para o PMDB e para o PP. Pesou também o envolvimento do Campo Majoritário (tendência que tem a maioria no partido) no atual escândalo político. Temos razões políticas, ideológicas e éticas para formarmos a dissidência", afirmou.

O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) também defendeu a criação da dissidência e foi quem agendou o encontro com o procurador-geral da República. "A criação da dissidência está tomada e teremos uma relação de independência em relação ao governo", disse Biscaia. Biscaia, que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça, dependendo da decisão do grupo, pode vir a deixar a CCJ. No próximo dia 5 haverá um ato público em São Paulo pela criação da dissidência. Participaram da reunião que criou a dissidência do PT os parlamentares: senador Cristóvam Buarque (DF) e deputados João Alfredo (CE), Antônio Carlos Biscaia (RJ), Ivan Valente (SP), Chico Alencar (RJ), André Costa (RJ), Orlando Fantazzini (SP), Iara Bernardi (SP), João Grandão (MS), Tarcísio Zimmermann (RS), Dr. Rosinha (PR), Maninha (DF), Paulo Rubem (PE), Gilmar Machado (MG) e Valter Pinheiro (BA).