Depois de uma reunião fechada com a Polícia Federal (PF) neste domingo (6) de manhã, os quase 100 estudantes que permanecem acampados no prédio da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) optaram por realizar uma assembléia-geral ao meio-dia de segunda (7) para discutir novos rumos da ocupação.

Raul Cardoso, aluno de ciências políticas da UnB e um dos quatro integrantes da comissão de negociação que participou da reunião, garantiu que o tom da conversa foi ?tranqüilo?. Apesar das ameaças anteriores de desocupação, ele diz que a PF sinalizou que não deve retirar os estudantes à força pelo menos até as 15h de amanhã, quando as partes voltam a se reunir. ?Amanhã, a gente tem das 7h30 até o meio-dia para rodar a universidade inteira, passando em todas as salas e em todos os prédios [convocando os alunos para a assembléia]".

Cardoso afirma que, durante a reunião, a comissão foi informada de que o pedido de agravo, feito pelos advogados dos alunos, para anular a reintegração de posse do prédio da reitoria, foi indeferido na noite de sábado (5) e que, portanto, a ordem para a retirada dos alunos pela PF continua correndo. Para Carla Gamba, coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e estudante de artes cênicas da UnB, a ordem de reintegração de posse não influencia na decisão dos estudantes de seguir com a manifestação. ?O que vai definir se a gente sairá ou não é essa decisão política que vamos ter [com a assembléia-geral] e não com base em ameaças".

Ela lembra que, até o momento, a UnB não apresentou uma contraproposta ?concreta? à pauta de quase 20 pontos elaborada pelos manifestantes. Segundo Carla, a instituição apresentou apenas um termo de compromisso, que estabelece que o afastamento do reitor e do vice-reitor está ?fora de cogitação?, além de propostas como a discussão da paridade nas eleições e o aumento de 20% do auxílio-moradia a partir de maio. Para o estudante do 8º semestre do curso de serviço social Fábio Félix, decisões tomadas pela administração da UnB, como o corte do fornecimento de água e energia elétrica aos estudantes por um período de 30 horas, dificultaram as negociações. ?Em nenhuma ocupação no Brasil as administrações de universidades desligaram água e luz, que são direitos básicos e humanos. É muito possível que os estudantes reunidos não aceitem as propostas da universidade e mantenham a ocupação por tempo indeterminado?.

Fábio é um dos estudantes que estão acampados desde as 14h da última quinta-feira (3) dentro do gabinete do reitor. Ele avalia que os alunos investiram em uma ação ?tão radicalizada? porque a interlocução com a administração da instituição e com os gestores do Ministério da Educação (MEC) já estava comprometida.