Cerca de cem estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiram em assembleia que entrou pela madrugada desta sexta-feira, 15, continuar ocupando a reitoria. Eles estão lá desde a tarde de ontem, para pressionar o reitor, Carlos Levi, a atender suas reivindicações. Segundo a estudante Julia Portes, de 19 anos, eles já conseguiram duas: a abertura do edital do auxílio-moradia, que é pago aos estudantes que têm renda familiar per capita de menos de um salário mínimo, em junho, com promessa de pagamento em julho, e a realização de um censo para levantar quantos são os moradores dos alojamentos, necessária para a formulação de políticas para melhorar suas condições, lotadas e precarizadas.

Eles também brigam pelo pagamento dos funcionários terceirizados, em especial os da limpeza e da segurança, que estão com salários atrasados desde março – quanto a isso, não receberam perspectivas. A decisão por ocupar a reitoria foi tomada porque Levi deixou a reunião do Conselho Universitário, ontem à tarde, no meio, alegando falta de quórum para votações – ele foi para uma reunião com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que estava na cidade.

A noite na reitoria, na Cidade Universitária, foi tranquila. O grupo, de várias faculdades diferentes, planeja permanecer até pelo menos as 16 horas, quando haverá outra reunião com o reitor e com decanos da UFRJ. Em seguida, será realizada nova assembleia, na qual os estudantes decidirão o que fazer. “A gente não pode mais ficar sem fazer nada. São demandas antigas, há muito tempo a situação na UFRJ está precária. Não é razoável que os trabalhadores continuem trabalhando sem receber”, disse Julia, que é aluna da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.