Os três deputados da CPI dos Correios que visitaram os Estados Unidos esta semana em busca informações sobre transações bancárias suspeitas envolvendo contas do publicitário Duda Mendonça no exterior encerraram sua missão em Washington dizendo-se satisfeitos com os sinais que receberam das autoridades americanas. "O resultado foi animador", afirmou o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), ao deixar uma reunião de 45 minutos com representantes do ministério da Justiça.

Embora tenham ouvido reclamações sobre vazamentos de informações confidenciais em Brasília em todos os encontros de que participaram, em Nova York e em Washington, Serraglio, que é o relator da CPI, e seus dois acompanhantes, Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Maurício Rands (PT-PE), disseram que voltam a Brasília com a expectativa de que receberão em breve, ainda no prazo de funcionamento do inquérito parlamentar, ao menos uma parte substancial do que vieram buscar.

Trata-se, por um lado, das informações sobre origem e montantes de remessas envolvendo contas de Duda Mendonça, de uma ex-sócia e de seus parentes, que os deputados solicitaram na quarta-feira à Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCen), uma agência do Departamento do Tesouro dos EUA com funções semelhantes ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). "Eles têm as informações", disse Paes.

Serraglio mostrou-se esperançoso também sobre a possibilidade de o departamento da Justiça americano autorizar o Ministério Público e o Ministério da Justiça no Brasil a liberar para a CPI as informações já enviadas por Washington sobre a conta Dusseldorf, de Duda Mendonça, no Bank of Boston, em Miami. As informações foram obtidas ao abrigo do Tratado de Assistência Legal Mútua, que restringe o compartilhamento dos dados.

"Nossa visita foi importante para deixar claro às autoridades americanas o nosso empenho no combate à corrupção e creio que eles compreenderam isso", disse o deputado paranaense.

Antes da visita, o Itamaraty pediu apoio do departamento de Estado à missão parlamentar, que foi acompanhada por um alto funcionário do Ministério da Justiça, Antenor Madruga, diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional.