Belo: novas confusões e denúncias.

Rio (AE) – A Polícia Civil do RJ suspeita que houve vazamento de informação durante o período de inquérito que apurava a suposta associação do cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, com o tráfico. O chefe de gabinete da Polícia Civil, Pedro Paulo Pinho, disse que a Corregedoria está investigando o fato de o advogado Sylvio Guerra, que deixou o caso e teria tentado extorquir dinheiro do cantor para pagamento de propina, ter sido a pessoa que recebeu os policiais durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa do artista.

“O resultado da busca, em que nenhuma arma foi encontrada, também causa estranheza”, afirmou Pinho, para quem a presença do advogado na casa e o desaparecimento da suposta coleção de armas de Belo podem ser indícios do vazamento de informação. O cantor, que teve a prisão preventiva decretada há seis dias, continua foragido.

Na época da busca e apreensão, o inquérito era presidido pelo delegado Pedro Paulo Abreu, então titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Anteontem, foi divulgada uma fita em que Belo e Guerra negociavam o pagamento de R$ 300 mil para que policiais civis abafassem o caso. Na gravação, o cantor cita o nome do ex-chefe de Polícia Civil do RJ, Álvaro Lins, e do atual titular da Draco, Ricardo Hallack.

“Estamos certos da inocência deles. Foi o Belo quem citou os nomes e ele pode ter feito confusão. Acredito que tanto Lins quanto Hallack serão inocentados e que a investigação irá recair sobre a gestão do Pedro Paulo Abreu”, afirmou Pinho. Abreu não foi encontrado para comentar as declarações do chefe de gabinete. Ontem, o delegado Álvaro Lins entregou uma petição à Corregedoria de Polícia Civil, pedindo a investigação da suposta tentativa de corrupção de policiais. “Eu estou revoltado”, afirmou. Além da ação criminal, Lins pretende processar na Vara Cível: Belo, Sylvio Guerra e o advogado do cantor, Alberto Louvera, que divulgou a fita. O Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Rio de Janeiro) poderá suspender preliminarmente, já na próxima semana, o direito do advogado Sylvio Guerra de exercer a advocacia, por um prazo de 90 dias.