“Praga do Egito” pegou Neudo Campos.

Brasília – O ex-governador de Roraima Neudo Campos foi preso ontem de manhã, pela Polícia Federal, na casa de sua mulher, a deputada federal Suely Campos, no Lago Sul. Segundo informações da PF, Campos não resistiu à prisão. O mandado foi expedido segunda-feira em Roraima e, desde então, 15 agentes revezavam-se na campana ao ex-governador, acusado de liderar esquema de desvio de recursos públicos no estado.

Neudo Campos foi transferido, num avião da PF, sob escolta de agentes federais, para a capital do estado, Boa Vista, onde deverá ficar preso. Sua chegada estava prevista para o começo da noite. Ao deixar a Superintendência da PF em Brasília, Campos disse que sua inocência seria provada. A prisão do ex-governador faz parte da operação “Praga no Egito”, deflagrada na madrugada de ontem pela PF em quatro estados. Até agora, foram presas 35 pessoas. O esquema de inclusão de funcionários laranja na folha de pagamentos do estado movimentava R$ 70 milhões por ano. Neudo Campos governou Roraima em dois mandatos, no período de 1994 a 2002.

A operação “Praga no Egito”, que durou três meses de investigação da Polícia Federal, objetiva prender os 50 envolvidos no esquema de fraude na folha de pagamentos de Roraima. Além do ex-governador, estão entre os acusados ex-parlamentares, empresários e servidores públicos.

A PF mobilizou 140 policiais de vários estados para executar os mandados de prisão, expedidos pelo juiz federal Helder Barreto, da 2.ª Vara Federal de Roraima. Eles foram transportados em dois aviões C-130 Hércules. Foram montadas, em Boa Vista, 55 equipes de policiais, com a missão de executar prisões na capital e no interior do estado, além de cidades de Rondônia e Manaus e de Brasília.

A operação de ontem, que dá continuidade à primeira operação “Praga no Egito”, executada em setembro de 2003, ouviu mais de 600 pessoas na fase de investigação.

Os beneficiários do esquema de desvio de dinheiro público – parlamentares, ex-parlamentares e altos funcionários do governo – incluiam na folha de pagamentos do estado pessoas sem qualquer ligação com o serviço público. Em seguida, obtinham dessas pessoas, os laranjas, procurações para receber seus salários. Muitos dos laranjas não sabiam do que se tratava e nenhum deles trabalhou sequer um dia nos “empregos”.