Brasília – O presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), considera natural o funcionamento precário da Casa, neste período eleitoral.

Ele disse que conversou, ontem, com quase todos os líderes partidários da Câmara e que está preparando votações para a semana que vem. “É um momento em que mais de quatro dezenas de prefeituras estão sendo disputadas”, ponderou. “São prefeituras importantes, porque todas têm mais de 200 mil eleitores e incidem sobre áreas grandes em vários Estados. Isso acaba envolvendo montes de deputados e senadores.”

Até a próxima semana, 19 medidas provisórias estarão trancando a pauta da Câmara. João Paulo confirmou que, na semana que vem, vai reunir-se primeiramente com os líderes da base e, depois, com todos os líderes partidários da Câmara, para identificar os problemas existentes em cada bancada e tentar superá-los, para possibilitar o reinício das votações na Casa. Ele espera que as votações sejam retomadas depois do almoço que fará, em sua residência, com os líderes da base aliada e o ministro da Articulação Política e Assuntos Institucionais, Aldo Rebelo.

Ele também descartou a possibilidade de que as medidas provisórias só comecem a ser votadas depois do segundo turno, no dia 31 de outubro: “Está cedo para dizer que não vamos votar. Se muitos deputados estiverem aqui e resolverem votar, destrancam a pauta”, disse.

Crítica

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse ontem que está preocupado com a dificuldade que os parlamentares estão encontrando para votar as matérias em tramitação no Congresso, por causa do grande número de medidas provisórias editadas pelo governo, que estão travando a pauta da Câmara e do Senado. Segundo ele, com o excesso de MPs o governo acaba prejudicando a votação de matérias de seu próprio interesse.

“Não acredito nesse esforço concentrado que os presidentes da Câmara e do Senado afirmam que vão fazer na semana que vem. Tudo o que o Senado fizer ficará parado na Câmara, que está com a pauta travada. Com essa voracidade de medidas provisórias, o Congresso está em uma situação complicada. A pauta não anda. Vamos ter problemas para vencer a pauta até o final do ano. Com tantas MPs, o governo tem a capacidade de fazer obstrução a si mesmo”, afirma.