As relações perigosas entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os empreiteiros tiveram mais uma de suas páginas expostas à luz. O livro de contabilidade de uma gráfica de Maceió indica que contas de campanha eleitoral da família do senador em 2004 foram pagas por um empresário da construção civil. Seis cheques de Sérgio de Almeida, dono da Mais Engenharia Ltda, foram entregues à Cian Gráfica Editora Ltda. para pagar adesivos, santinhos e cartas de campanhas feitas supostamente a pedido de Renan.

São cheques de baixo valor, mas que mostram que o presidente do Senado contava com a ajuda de empresários amigos antes mesmo de estourar o escândalo em que ele é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo. O representante da construtora Mendes Júnior pagaria a pensão de uma filha de Renan com a jornalista Monica Veloso.

Dos seis cheques, quatro foram registrados como entregues em 14 de julho de 2004. Todos no mesmo valor: R$ 4.360. São cheques de números seqüenciais que, segundo contabilidade da empresa, deveriam ser depositados nos dias 5 de agosto, setembro, outubro e novembro

O último pagamento consta como sustado. O livro registra ainda outro cheque de Sérgio de Almeida no dia 25 de novembro, no valor de R$ 4.350, que também teria sido ‘sustado’.

O empresário Benezildo Moura, antigo aliado de Renan e dono da gráfica, afirmou que o material de campanha foi confeccionado a pedido do senador. Ele encomendou os papéis para as campanhas de seu filho Renan Calheiros Filho, que disputou e ganhou a Prefeitura de Murici, e de seu irmão Robson Calheiros, que concorreu e também foi eleito vereador de Maceió.

O livro registra que teriam sido produzidos 500 mil santinhos para candidaturas de vereadores a pedido de Renan, 250 adesivos para Renan Filho e 50 mil cartas para Robson Calheiros, entre outros.

Não é a primeira vez que Moura testemunha contas de Renan sendo pagas por empreiteiras e lobistas. Ele já confidenciou que, após perder a eleição para governador em 1990, Renan chegou a ter suas despesas pagas por empresários e amigos – entre eles o lobista Cláudio Gontijo. O depósito teria sido feito em uma conta já encerrada de Moura no antigo Banco América do Sul. Ele afirmou, porém, não ter guardado os comprovantes.

Nesta época, Gontijo ainda trabalhava na Santa Bárbara Engenharia. Senador e lobista já afirmaram, anteriormente, que são amigos e que se conheceram quando Gontijo atuava na Santa Bárbara. Consulta nas prestações de contas de campanha de 2002 dos senadores mostra que a empreiteira doou R$ 80 mil.