O corpo do menino Wesley Damião da Silva Saturnino Barreto, de 3 anos, atingido por três tiros durante operação policial na favela do Jacarezinho na quinta-feira, foi enterrado no cemitério São Francisco Xavier, na região portuária. Não houve velório e o clima era tenso. Um morador da favela chegou a agredir uma repórter do jornal "O Dia".

No início da manhã, antes da chegada do corpo do garoto ao cemitério, a bisavó materna de Wesley, Maria Helena Gomes, de 58 anos, lamentou a morte da criança. "Como fizeram isso com ele? Eu soube pela televisão que essa tragédia tinha acontecido. Eu tinha uma casinha na Mangueira, mas mudei para Niterói para fugir da violência. Não dá para ficar num lugar assim", comentou. Uma parente informou que o pai do menino, Ricardo Saturnino Barreto, foi morto a tiros dois anos atrás.

Por volta das 10 horas, a mãe de Wesley chegou ao cemitério, acompanhada por um grupo de 20 moradores do Jacarezinho. Ela estava muito emocionada e foi cercada por pessoas que a orientaram a não dar entrevista. Logo depois um dos homens que estava no grupo agrediu a repórter com um empurrão.

Quando o corpo chegou, não houve velório. A pedido da família, o caixão foi aberto durante o trajeto para o sepultamento. Familiares entraram em desespero. Um homem começou a filmar fotógrafos e repórteres e os jornalistas decidiram se retirar do cemitério.