Brasília

(AE) – Os estrategistas da campanha tucana à Presidência decidiram manter o confronto com o candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, mas tanto o presidente Fernando Henrique Cardoso quanto o candidato José Serra (PSDB) serão poupados desta tarefa. Desde a reunião do conselho político da campanha com Fernando Henrique, no domingo, o tucanato concluiu que “o atual e o futuro presidente” têm de ficar fora da pregação dos “riscos” de uma eventual administração do PT por duas razões: Não levar o confronto para dentro do governo e evitar uma repercussão internacional negativa para o País.

“O presidente tem outras responsabilidades que impõem cautela” diz um dos integrantes do alto comando da campanha de Serra. “O jogo político interessa só até o ponto em que a posição tomada não cria reflexo negativo para a gente mesmo administrar”, completa o tucano. Embora o candidato José Serra não resista a criticar publicamente os “ataques de baixo nível” do adversário do PPS, Ciro Gomes, seus conselheiros políticos desaprovam qualquer tentativa de polarização com o ex-ministro. Avaliam que os votos de Ciro incluem uma fatia do eleitorado que aprova o governo e pode migrar para o PSDB.

A conclusão geral é a de que Serra ainda tem espaço para crescer dentro do nicho governista. De fato, as pesquisas indicam que Serra tem o apoio de cerca de 20% do eleitorado, enquanto a avaliação positiva do governo Fernando Henrique gira em torno dos 30%. “Ter toda esta fatia que aprova o governo do nosso lado dependerá dos incidentes da campanha”, resume o líder do PSDB no Senado, Geraldo Melo (RN), que participou da reunião do domingo ao lado dos líderes do governo no Senado, Artur da Távola (RJ), e do Congresso, deputado Arthur Virgílio (AM), além do coordenador político da campanha, deputado Pimenta da Veiga (MG). A estratégia da polarização com o PT também tem outra serventia: deixar claro para o eleitorado que o segundo turno da disputa presidencial já está definido e será travado entre Serra e Lula. Mas os estrategistas tucanos estão mesmo entusiasmados com a melhora no desempenho de seu candidato nas pesquisas eleitorais. O que não significa que estejam todos satisfeitos com cenário atual. Depois de consolidar Serra como candidato do PSDB e da aliança e de vencer a batalha da escolha do vice, com Rita Camata (PMDB-ES), eles querem ultrapassar, “sem sobressaltos”, a terceira etapa do jogo sucessório: a convenção nacional do PMDB que submeterá a aliança a voto.

“Não devemos ser pilotados por pesquisas, mas é interessante que a tendência favorável a Serra, expressa na curva ascendente das últimas consultas, se consolide”, diz Geraldo Melo. Acertada a parceria com o PMDB na convenção deste sábado, os tucanos vão trabalhar para que o candidato chegue mais “forte e mais competitivo” em agosto, quando estreará na campanha eletrônica do horário eleitoral gratuito da aliança no rádio e na televisão.