São Paulo – O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso contestou ontem as acusações sofridas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E defendeu a criação de uma “agenda nova” para o país, e declarou que as reformas não podem ser consideradas neste caso. “Temos que definir uma agenda nova, e não é a que estamos vivendo agora”, disse. “Agenda nova, para nós, não é a reforma da Previdência, da Administração ou Tributária. Essa é antiga e eu já estava fazendo.”

De acordo com FHC, os líderes do atual Executivo não “mudaram de posição”. “Não acho que o governo atual tenha taticamente mudado de posição”, disse. Segundo ele, os que dirigem o governo entenderam que tinham que ser “responsáveis” graças às “circunstâncias atuais”. “Espero que dure, que o governo continue entendendo o que é essencial. Isso não quer dizer que não se deva ou possa ter mudanças, o problema é como e quando fazê-las”, completou Cardoso.

O ex-presidente traçou um paralelo entre a condução do governo e a evolução da cotação do dólar entre o período pré-eleitoral e o atual. Ele destacou a queda recente no preço da moeda americana, que ontem voltou ao patamar de R$ 3. Mas lembrou que em abril em 2002 o dólar valia R$ 2,2, antes de bater os R$ 4 no período eleitoral. “Tudo isso (oscilações da moeda) ocorreu em conseqüência do medo que as pessoas tinham de que houvesse um zigue-zague na política econômica. Mas não houve”, disse.

Ainda sobre a linha do governo atual, FH acrescentou. “O que não pode é ruptura. E isso não houve, devo dizer, graças à compreensão do presidente da República.”