Madri – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem em Madri, na abertura da Cúpula Internacional sobre Democracia, Terrorismo e Segurança, que a pobreza não seja considerada a principal causa do terrorismo, enquanto o príncipe Felipe, da Espanha, defendeu uma colaboração mundial em torno dessas questões. Em conversa com a imprensa, FHC alertou contra a tentação de se pensar que a pobreza é a principal causa do terrorismo. ?Os dados fragmentados demonstram que, na maioria das vezes, os que atuam mais diretamente (no terrorismo), os que comandam, não são tão pobres e são pessoas incluídas na sociedade?, disse Cardoso, que é o presidente do Clube de Madri. ?Não se pode dizer que, ao resolver o problema da pobreza, estará sendo resolvido também o problema do terrorismo. A questão da pobreza deve ser resolvida porque é um problema em si mesmo importante, mas não necessariamente o terrorismo será resolvido como conseqüência?, acrescentou FHC. ?Nossa ambição é a definição de uma agenda, o que significa que não é algo que termine com uma declaração. É algo que começa com uma proposta de compreensão e, em seguida, estipula alguns passos para o combate ao terrorismo?, finalizou. O príncipe Felipe de Bourbon, por sua vez, disse que a erradicação do terrorismo ?constitui um objetivo prioritário que exige a unidade de todos os democratas, o emprego de todos os instrumentos do estado de direito e o reforço efetivo da cooperação internacional?. A conferência reúne 23 chefes de Estado e de governo, 34 ex-presidentes e mais de 200 acadêmicos e especialistas em diversos temas, como segurança, economia e religião.