Rio – O novo comandante da Força Nacional de Segurança, coronel Luiz Antônio Ferreira, da Polícia Militar do Rio, disse ontem que o efetivo da força será dobrado nos próximos dias. Dos atuais 680 homens, o Rio vai contar com a atuação de 1.200. O efetivo esperado para os Jogos pan-americanos chega a 6.000 homens.

A declaração foi feita durante a cerimônia de troca de comando da Força Nacional de Segurança, que contou com a participação do ministro da Justiça, Tarso Genro, do governador Sérgio Cabral Filho e do secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Corrêa.

O reforço da FNS foi acertado em reunião de Cabral Filho e sua equipe para a área de segurança com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e comandantes militares, no Palácio Laranjeiras, para discutir a participação das Forças Armadas no combate ao crime, há um mês.

Segundo o governador, o governo estadual e o Ministério da Defesa já discutem os últimos detalhes da ação da Marinha, do Exército e da Aeronáutica no policiamento do Rio de Janeiro. ?Não é comum, não é rotineiro, não é da natureza das Forças Armadas, mas é fundamental que participem?, afirmou Cabral Filho, em pronunciamento no 19.º Fórum Nacional, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

?Não com um show de pirotecnia, não com tanques apontados para as favelas ou soldados do Exército passando para lá e para cá, mas com apoio logístico, apoio material, policiamento ostensivo em torno das unidades das Forças Armadas, que aumenta a sensação se segurança, e ao mesmo tempo com a presença ostensiva em algumas áreas?, disse.

Em contradição com o governador, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, leu um discurso defendendo a ação das Forças Armadas longe das ruas. Ele disse que os militares podem ser mais eficientes patrulhando as fronteiras com Bolívia e Paraguai, fazendo patrulhamento do espaço aéreo perto da Colômbia e vigiando a baía de Guanabara e o Caribe. ?Outras tarefas que possam ser desempenhadas pelas Forças Armadas e liberem mais policiais para o policiamento devem ter prioridade? , disse. ?Colocar o soldado na rua carioca, transformando-o em um policial de segunda categoria e certamente desmotivando os policiais profissionais talvez não seja uma solução eficaz.?

Ao sair, o general negou que tivesse polemizado com Cabral, que deixou o evento antes do fim. Segundo ele, o governador não pediu a participação direta de militares na segurança, e o patrulhamento pelos militares das áreas em torno de seus quartéis é parte das suas funções.