Brasília – O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informou ontem que a Força Nacional de Segurança Pública – a tropa de elite criada no ano passado para combater a violência urbana – vai participar das operações conjuntas que os governos federal e do Estado do Rio desencadearão contra o narcotráfico. As operações começam nesta semana e não têm data para terminar. O objetivo é desarmar os chamados soldados do tráfico, que estariam, segundo o governo fluminense, entrincheirados e fortemente armados em morros, favelas e zonas densamente habitadas da periferia. Será a segunda vez que a Força entra em operação. A primeira vez foi em Vitória, em dezembro passado.

O plano de ajuda federal ao Rio foi aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem o ministro Márcio Thomaz Bastos despachou na segunda-feira por mais de uma hora no Palácio do Planalto. O auxílio foi solicitado pelo governo fluminense há duas semanas, depois que as autoridades de segurança constataram que o Estado não tinha condições de enfrentar sozinho o poder bélico do crime organizado que, além de numeroso, dispõe de granadas, fuzis e armamento pesado de uso militar.

Na semana passada, os governos federal e estadual realizaram uma operação de aquecimento, que resultou na morte de um traficante e em prisões, durante a ocupação de morros. Desta vez, as ações serão amplas e simultâneas em todas as áreas dominadas pelo crime organizado. Além da Força, serão mobilizadas as polícias Federal e Rodoviária Federal e as polícias Militar e Civil do Rio. Criada no ano passado para ajudar os Estados em situações de grave crise de segurança, a Força Nacional tem, hoje, cerca de dois mil policiais. A corporação é integrada por policiais de elite, selecionados entre os melhores quadros das PMs dos estados e treinados na Academia Nacional da Polícia Federal, em Brasília. Ela é acionada, a pedido de governos estaduais, como alternativa ao uso das Forças Armadas, que não têm treinamento adequado para atuar em ações urbanas de segurança pública. Na sua primeira intervenção, em Vitória (ES), foram empregados 150 homens. Segundo Bastos, o uso da Força no Rio é importante para solidificar a parceria entre os governos federal e estadual. "Vamos levar a Força ao Rio para que ela ajude a consolidar o modelo de integração das ações policiais no combate ao crime", disse.